Com quase 3 milhões de eleitores fora das urnas no 1º turno, candidato do PSD terá de buscar votos e, ao mesmo tempo, segurar o comparecimento
A conta de Eduardo Paes (PSD) para tentar virar a eleição para o Governo do Rio começa com um número pesado: 564.215 votos. Essa foi a vantagem de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno. Mas existe uma segunda variável que pode mexer na matemática da disputa: a abstenção.
Ruas terminou a primeira rodada com 4.271.199 votos, contra 3.706.984 de Paes. Enquanto isso, 2.996.650 eleitores não foram votar, o equivalente a 23,33% do eleitorado.
É aí que entra um desafio adicional para quem terminou atrás. Paes precisa conquistar parte dos votos dos candidatos eliminados, mas também precisa manter mobilizado seu próprio eleitorado. Se o comparecimento cair no segundo turno, como historicamente costuma ocorrer no Rio, haverá menos votos efetivamente em disputa.
O histórico das eleições presidenciais no estado mostra que a abstenção aumentou do primeiro para o segundo turno em cinco das seis eleições desde 2002. A exceção foi 2022, quando caiu de 22,76% para 22,24%, mesmo assim, uma diferença mínima.
Em outras palavras: a urna do segundo turno não começa do zero. Ela parte de uma diferença de mais de meio milhão de votos e de um eleitorado que pode comparecer em número diferente.
Não significa que a abstenção maior beneficie automaticamente Ruas ou prejudique Paes. Quem não vota não forma um bloco político homogêneo. Mas, com quase 3 milhões de eleitores ausentes no primeiro turno, a capacidade das campanhas de levar seus eleitores às urnas em 25 de outubro ganha peso na disputa.
Para Paes, a equação é dupla: buscar 564 mil votos e evitar que a segunda rodada encolha o tamanho da própria base eleitoral.

