Apressar o fim da escala 6×1 em plena campanha do segundo turno é um cheque sem fundo: pode render votos agora, mas deixar uma conta pesada para o trabalhador pagar depois
Quem não quer trabalhar menos e descansar mais?
É justamente aí que está a força eleitoral da proposta. O governo Lula quer acelerar a votação antes das urnas, embalando o fim da 6×1 como uma “vitória histórica”.
Só que existe uma pergunta que o palanque não responde:
quem vai pagar essa conta?
Reduzir a jornada sem reduzir os impostos sobre a folha de pagamento — e, portanto, o custo do trabalho — significa que alguém terá de absorver essa diferença.
E o cenário não poderia ser mais delicado: instabilidade internacional, países em guerra, economias em crise e uma revolução tecnológica que, com o avanço da inteligência artificial, já começa a mudar o mercado de trabalho.
Não existe almoço grátis.
A CNI estima que a redução de 44 para 40 horas pode elevar em até **R$ 267,2 bilhões por ano** o custo do trabalho formal.
Para quem já está no limite — especialmente comércio, serviços e pequenos negócios — isso pode significar preços maiores, menos contratações, mais automação e informalidade.
Ou seja: o que chega ao eleitor como promessa de mais descanso pode chegar ao trabalhador como **preço maior no supermercado ou menos oportunidade de emprego**.
É fácil prometer mais folga. Difícil é garantir que a vaga continue existindo.
Existe outro caminho?
Em vez de uma receita única para todo mundo, existe uma proposta defendida pelo senador **Flávio Bolsonaro**: trabalho por hora e maior flexibilidade na jornada, prevista na PEC 12/2026.
A lógica é simples: dar mais liberdade para que trabalhador e empresa encontrem o arranjo que faça sentido para cada realidade.
Tem gente que quer mais dias de descanso.
Tem gente que precisa trabalhar mais em determinados períodos para aumentar a renda.
Por que obrigar todo mundo a caber na mesma escala?
O jingle acaba. A conta fica
O trabalhador merece descanso, qualidade de vida e tempo com a família.
Mas também merece **emprego, salário e poder de compra**.
O problema não é discutir o fim da 6×1. É transformar uma mudança que afeta milhões de brasileiros em **troféu eleitoral de última hora**, sem enfrentar de frente seus custos e consequências.
A eleição passa.
O palanque desmonta.
Mas a conta continua chegando — na folha de pagamento, no preço das coisas e, pior, na carteira de trabalho.
