Em uma jogada de emergência nos bastidores do Poder, o PT do presidente Lula e caciques do Centrão abriram corrida contra o relógio para aprovar uma virada de mesa nas regras do jogo político. O plano é votar ainda este ano uma reforma eleitoral que trava o avanço da oposição no Congresso e abre portas para uma verdadeira censura às redes sociais, sufocando a principal ferramenta de alcance da direita antes que os novos deputados e senadores eleitos assumam os mandatos.
Articulada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a manobra prevê mudar o sistema de votação para o modelo distrital misto e aprovar, a vapt-vupt, novas regras para a propaganda no ambiente digital sob o pretexto de “isonomia”.
O plano para conter os campeões de votos e calar a oposição
A pressa em aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) tem explicação matemática: o avanço avassalador do PL e de nomes conservadores nas últimas eleições abocanhou cadeiras tradicionais do Centrão e do governo.
Para neutralizar esse fenômeno, a aliança governista quer cortar as asas dos “puxadores de voto” ideológicos — nomes que arrastam multidões de eleitores e ajudam a eleger bancadas inteiras, como Nikolas Ferreira.
‘Paridade de armas’ ou mordaça digital?
O ponto mais crítico da proposta atinge em cheio as plataformas digitais. Alegando a necessidade de “mudar os critérios de propaganda” devido ao alto engajamento da oposição, a proposta prevê limitar o alcance e o impulsionamento de conteúdos na internet.
Críticos e lideranças de oposição denunciam a medida como uma tentativa escancarada de censurar as redes sociais, tirando do ar a voz de quem faz oposição ao governo federal. A ordem no Planalto e no Centrão é votar tudo antes do fim do ano, cientes de que a nova composição do Congresso a partir da próxima legislatura enterrará qualquer tentativa de controle.
