BARULHO QUE MATA: fogos disparam crises e colocam pessoas e animais em risco

Jefferson Lemos
Foto - IA

O pânico na estreia do Brasil não ficou só em campo. Fora dele, o barulho dos fogos transformou a festa em crise para autistas, idosos e animais — mesmo em cidades como o Rio de Janeiro, onde esse tipo de explosão é proibido por lei.

Se o empate e a atuação abaixo do esperado já frustraram parte da torcida, o que veio das ruas escancarou um problema ainda maior: fogos com estampido seguem sendo usados sem qualquer controle.

Na prática, a regra existe — mas não é cumprida. Falta fiscalização.

Comemoração para uns, crise para outros

Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o estouro de um rojão não é apenas incômodo — é uma experiência extrema.

Especialistas explicam que a hipersensibilidade auditiva faz com que o cérebro processe o som de forma muito mais intensa. O resultado são crises de pânico, choro, desespero, desorganização emocional e até colapsos comportamentais.

Famílias relatam noites em claro a cada jogo.

Idosos com Alzheimer, Parkinson ou doenças cardíacas também estão entre os mais afetados. O susto provocado pelos fogos pode desencadear picos de pressão, arritmias e situações de risco.

80% dos pets sofrem — e muitos não voltam

Se dentro de casa o impacto já é grande, para os animais ele pode ser ainda mais devastador.

Levantamentos indicam que 8 em cada 10 pets sofrem com fogos de artifício. O barulho provoca pânico real: tremores, taquicardia, ansiedade extrema e comportamento descontrolado.

Na tentativa de fugir, muitos animais pulam muros, arrebentam portões e saem correndo sem direção. O resultado são casos frequentes de desaparecimento, atropelamentos e mortes.

Veterinários relatam aumento significativo nos atendimentos durante jogos e grandes eventos.

Proibido no papel, liberado na prática

Capitais como Rio de Janeiro já têm leis que restringem fogos com estampido, permitindo apenas versões com efeito visual ou ruído controlado.

Mesmo assim, o que se vê nas ruas é o oposto: rojões continuam sendo usados livremente.

Falta fiscalização — e sobra a cultura de que barulho é sinônimo de festa.

 

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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