‘Não vai ficar um de direita de pé’: acusado de executar casal no DF espalhava mensagens de ódio

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Foto - Rerprodução

Por trás dos tiros que tiraram a vida de Rayane Lins Farias Campos, de 38 anos, e Leonardo de Oliveira Campos, de 42, no último fim de semana, pode esconder-se um cenário de terror alimentado por fúria e intolerância extrema. O principal suspeito do crime, o empresário Evandro Gabriel Ferreira, de 60 anos, usava as redes sociais e até o próprio carro como vitrines para espalhar mensagens explícitas de ódio e violência ideológica contra a direita.

A brutalidade do duplo homicídio no condomínio Bosque Imperial, na Ponte Alta, chocou o Distrito Federal. Mas o que mais assusta a comunidade é o rastro de ameaças deixado pelo suspeito.

O ‘alerta’ do terror

Dias antes do crime, o acusado divulgou um texto contendo ameaças de morte generalizadas. Em um tom de purgação violenta, o empresário escreveu que, no Distrito Federal, “não ficará um de direita de pé”.

A frase, longe de ser apenas um desabafo isolado, era parte de uma rotina de intimidação. Vizinhos relatam que o clima na região era de constante vigilância e medo, inflamado pelas posições agressivas que o homem exibia publicamente.

Muro de intolerância

Oficialmente, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) trabalha com a linha de que o crime foi motivado por uma disputa de terras — uma briga antiga por causa da construção de um muro que dividia os lotes. No entanto, para quem acompanhava o comportamento do suspeito, o discurso de ódio era o combustível que faltava para a tragédia.

No dia do crime, Leonardo limpava o lote com uma roçadeira quando foi surpreendido pelos disparos. Ele e a esposa não tiveram chance de defesa. Os corpos só foram encontrados no dia seguinte pelo pai de Rayane, que precisou arrombar o portão e se deparou com a cena de horror.

Leonardo e a esposa limpavam o lote com uma roçadeira quando foram surpreendidos pelos disparos (Reprodução/Redes Sociais)

 

 

Ficha criminal

A retórica violenta de Evandro não era apenas da boca para fora. A investigação revelou que o empresário tem um histórico criminal extenso e altamente perigoso: ele já havia sido condenado por assassinar o próprio sobrinho a tiros em 2008.

Evandro foi preso após uma operação policial complexa, que exigiu o cerco da propriedade e o apoio de atiradores de elite. Embora negue o crime, ele responderá por duplo homicídio qualificado. O caso reacende o alerta sobre o impacto real e mortal dos discursos de ódio que saltam das telas da internet para manchar o chão de sangue.

O que diz o suspeito

Em interrogatório à 14ª DP (Gama), Evandro apresentou uma versão de defesa baseada em conspiração e perseguição. Confrontado sobre a arma e as munições encontradas escondidas dentro de um ar-condicionado portátil em sua casa, o empresário alegou que o armamento foi plantado por terceiros para incriminá-lo.

Evandro sugeriu duas teses para a suposta armação. Afirmou que demitiu recentemente trabalhadores de uma reforma em sua casa e que eles poderiam ter escondido a arma no local por estarem com raiva. O empresário também declarou que suas postagens contundentes de apoio ao PT nas redes sociais o tornaram alvo de adversários.

“Os políticos podem estar utilizando isso para me prejudicar”, alegou. A arma apreendida passou por perícia no Instituto de Criminalística (IC) para confirmar se foi a mesma utilizada na execução do casal.

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