Desconto hoje, quebradeira amanhã? Gigante chinesa avança no Brasil sob acusações de espionagem, pirataria de marcas e guerra suja

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Foto - Divulgação

A gigante chinesa do delivery Keeta (do grupo Meituan) enfrenta uma onda de batalhas judiciais no Brasil sob acusações de uso indevido de marcas, violação da autonomia de restaurantes, espionagem empresarial e assédio a funcionários. O pivô mais recente do escândalo explodiu nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, com uma ação civil pública movida pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR) na Justiça de São Paulo.

O modelo da discórdia

O estopim da ação da ANR é a prática da “compra intermediada”: a Keeta cadastra estabelecimentos no app,usando logotipos e cardápios sem autorização prévia nem contrato assinado. Entregadores compram a refeição diretamente no balcão como clientes comuns e vendem pelo aplicativo. Restaurantes alegam perda total do controle sobre a qualidade do produto e uso não autorizado de suas marcas.

Espionagem e assédio corporativo

Em paralelo, o iFood levou a rival aos tribunais acusando a empresa de espionagem empresarial. Segundo a denúncia, a Keeta utilizou consultorias internacionais para assediar executivos e colaboradores do iFood,oferecendo altos pagamentos em dólares para obter dados estratégicos e segredos comerciais do mercado brasileiro.

Atrito com entregadores e recuo operacional

Além da disputa com os grandes players e restaurantes, a Keeta comprou briga na ponta da operação. O recuo repentino e o congelamento de planos de expansão no Rio de Janeiro provocaram forte reação dos sindicatos de entregadores e motoboys. A categoria acusa a empresa de promover um verdadeiro “apagão de suporte”, cortando incentivos, deixando repasses em aberto e gerando incerteza trabalhista para centenas de profissionais que haviam migrado para o aplicativo.

‘Queima de caixa’ no CADE

O caso também corre no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Concorrentes acusam a empresa chinesa de preço predatório — usar o caixa bilionário da matriz para bancar cupons agressivos e operar com prejuízo deliberado, sufocando empresas locais. A Keeta nega e rebate, alegando que o mercado brasileiro sofre com a concentração e o monopólio das marcas dominantes.

O risco para o Brasil

A avassaladora entrada da Keeta acende um alerta vermelho para a economia brasileira. Se a estratégia de “queimar caixa” e atropelar normas de concorrência se consolidar, o país corre o risco de ver um desmantelamento das pequenas redes de alimentação, destruição de startups locais e uma dependência perigosa de um gigante estrangeiro que opera à margem da regulamentação do setor.

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