Um levantamento internacional revela que o Brasil está entre os países que menos trabalham em relação ao esperado, considerando produtividade e perfil demográfico. Enquanto a média global de horas semanais dedicadas ao trabalho em 2022 e 2023 foi de 42,7 horas, os brasileiros registraram apenas 40,1 horas.
O estudo, conduzido pelo economista Daniel Duque (FGV Ibre) com base em dados da OIT, Banco Mundial e União Europeia, mostra que o Brasil ocupa a 38ª posição em horas trabalhadas entre 86 países. Quando ajustado para produtividade e demografia, o país despenca para o 60º lugar, figurando no terço inferior do ranking mundial.
Segundo Duque, a explicação pode estar na cultura nacional, marcada por maior valorização do lazer. O problema, alertam especialistas, é que essa escolha impacta diretamente a renda per capita. “Se trabalhamos 25% a menos, mesmo que a produtividade por hora seja igual, nosso PIB per capita será 25% menor”, resume o economista Samuel Pessôa.
O contraste é evidente: enquanto países ricos, como a França, podem se dar ao luxo de reduzir jornadas para cerca de 31 horas semanais, o Brasil estaria “descendo a serra” antes de alcançar prosperidade. A comparação com a Coreia do Sul é emblemática: homens coreanos trabalham 5 horas a mais por semana do que seria esperado, enquanto os brasileiros trabalham meia hora a menos.
O debate ganha força em meio às discussões sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil. Para os especialistas, a medida pode aprofundar ainda mais a distância entre o país e economias asiáticas, que combinam alta produtividade com longas jornadas.
Em resumo: o brasileiro trabalha menos, valoriza o lazer, mas paga o preço na renda e na competitividade global.
