A chamada “taxa das blusinhas”, criada pelo governo com a promessa de estimular a economia e gerar empregos, acabou pesando no bolso do consumidor sem entregar os resultados anunciados. Estudo da consultoria Global Intelligence and Analytics, encomendado pela Amobitec, aponta que o tributo de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 elevou os preços no varejo acima da inflação — sem impacto positivo na criação de vagas ou no aumento da renda.
Desde a implementação da cobrança, em agosto de 2024, os preços dispararam em diversos segmentos. Cosméticos subiram 17%, bijuterias 16% e itens de papelaria 13%. Também houve aumento em calçados (9%) e vestuário (7,1%). No mesmo período, a inflação oficial foi de 5,23%, indicando que o novo imposto pressionou ainda mais o custo de vida.
Além do encarecimento, a medida reduziu o acesso da população — especialmente das classes C, D e E — a produtos mais baratos. A demanda por itens importados via e-commerce caiu 19,4% até julho de 2025 e, em um cenário sem a taxa, a retração poderia chegar a 56%, segundo o levantamento.
Apesar do impacto direto no consumo, os dados mostram que o governo não conseguiu cumprir a principal justificativa da medida: estimular emprego e renda. Indicadores do mercado de trabalho permaneceram praticamente inalterados, e os salários nos setores afetados seguiram abaixo da média nacional — cerca de R$ 2,6 mil, contra mais de R$ 3,6 mil no geral.
Para especialistas, o resultado evidencia que a conta ficou com o consumidor, sem retorno social relevante. “Não houve efeito positivo na geração de emprego e renda. A política acabou ampliando margens no mercado, sem beneficiar o trabalhador”, afirmou o diretor-executivo da Amobitec, André Porto.
Diante da repercussão negativa, o tema já chegou ao Congresso, com projetos que propõem a revogação da taxa. Nos bastidores, cresce também a pressão para que o próprio governo recue da medida — movimento que ganha força às vésperas das eleições, em meio à tentativa de recuperar a imagem diante de um imposto que, na prática, encareceu produtos, freou o consumo e não entregou o que foi prometido.
