Após a invasão do plenário da Câmara Municipal de Campo Grande por manifestantes contrários a lei aprovada que barra o uso de banheiros femininos por mulheres trans, a prefeita Adriane Lopes (PP) saiu em defesa da medida e reforçou o discurso de proteção às mulheres: “Ou resguardamos nossos direitos ou perdemos a identidade de mulher”.
A prefeita acrescentou: “Eu respeito todas as opções sexuais, mas cheguei ao óbvio de ter que defender não só os meus direitos, mas os das mulheres de Campo Grande”, afirmou.
O ato interrompeu a sessão legislativa e reuniu ativistas LGBTQIAPN+, além de integrantes de movimentos como a Central Única dos Trabalhadores e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que não tinham nada a ver com a pauta, mas reforçaram o caráter de polarização política.
Com cartazes e gritos de ordem, os manifestantes ocuparam o plenário em protesto contra a norma já sancionada, que determina que o acesso a banheiros públicos e de estabelecimentos comerciais siga o sexo biológico. A mobilização elevou a tensão e ampliou a repercussão do caso.
A legislação, aprovada pela Câmara e publicada no Diário Oficial, integra a Política Municipal de Proteção da Mulher. Para os defensores, a medida busca garantir privacidade e segurança; críticos, porém, classificam a norma como discriminatória e prometem recorrer à Justiça.
Entidades como a Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul já anunciaram medidas judiciais, enquanto a bancada do Partido dos Trabalhadores tenta revogar a lei. O caso também passou a ser acompanhado por órgãos como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil.
A prefeita mantém a posição de que a medida é necessária para assegurar direitos das mulheres. “Não tenho medo de assunto polêmico, menos ainda na hora de defender o direito das mulheres”, avisou Adriane Lopes.
