Nada como começar o ano novo com a velha tradição brasileira: sancionar uma lei e descumpri-la logo em seguida. Foi exatamente isso que aconteceu no Réveillon oficial de Niterói. A Prefeitura, por meio da Neltur, contratou o show da cantora Ludmilla, que apresentou a música “Verdinha” — justamente a canção que cai como uma luva na proibição recém-publicada pelo próprio prefeito. Resultado? Fogos no céu e fumaça nos bastidores: o caso já vai parar no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
O que está em jogo
A vereadora Fernanda Louback, autora da lei, não deixou barato. Ela afirma que a lambança pode render responsabilização administrativa dos gestores, atuação do Ministério Público com base no ECA, análise do Tribunal de Contas sobre o uso de recursos públicos e até investigação por improbidade administrativa.
“O prefeito não está acima da lei. Ignorar uma norma recém-sancionada em um evento oficial é rasgar a legalidade e desrespeitar famílias e crianças”, disparou.
Além de protocolar ofício exigindo explicações, Louback também promete representação formal contra o Executivo no MPRJ e no TCE-RJ.
O vereador Douglas Gomes (PL) também acusou o prefeito Rodrigo Neves de autorizar que Ludmilla fizesse apologia às drogas no palco do Réveillon:
“VERGONHA! A cantora Ludmilla fez apologia às drogas usando dinheiro público, em frente de várias famílias, com a autorização do Rodrigo Neves. Ainda hoje, representarei contra ela!”, avisou em suas redes sociais.
Clima em crise
O Réveillon que deveria ser de festa virou manchete de escândalo: a cidade começa 2026 com champanhe nas taças e processos na mesa. Afinal, se a lei é para inglês ver, o MPRJ e o TCE vão querer assistir de camarote.
