‘Foi executado por terroristas’: indignação marca despedida de policial

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução

‘Não foi troca de tiros. Foi uma execução. Carlos foi assassinado por terroristas, e não por simples criminosos, como insistem em dizer.’ A declaração do vereador Douglas Gomes (PL) marcou a despedida do policial civil Carlos Alberto Freire Neto, de 34 anos, realizada nesta quarta-feira na Câmara Municipal de Niterói. Em um discurso emocionado e contundente, o parlamentar afirmou que o agente “não teve qualquer chance de reagir” e disse que o Rio vive uma guerra contra facções fortemente armadas.

Sob aplausos, sirenes e muita emoção, familiares, amigos, colegas da Polícia Civil e autoridades prestaram as últimas homenagens ao agente, morto durante um ataque na Avenida Brasil, em Guadalupe. Após o velório, um longo cortejo acompanhou o caixão até o sepultamento, em uma despedida marcada por lágrimas e homenagens de policiais de diferentes unidades.

Muito abalado, Douglas Gomes lembrou que Carlos não era apenas um policial exemplar, mas também seu amigo pessoal e que foi integrante da equipe de segurança de seu mandato. “O Estado do Rio perde um excelente policial. Nossa equipe perde um irmão. Ele cuidava de mim, da minha família e vivia para proteger a sociedade. Quantas vezes deixou o prato de comida na mesa e a família em casa para sair atrás de vagabundo? Era apaixonado pela Polícia Civil e nasceu para ser policial”, afirmou.

O vereador também lembrou o drama da família deixada pelo agente. “Ele deixa uma esposa apaixonada, um filho de apenas dois anos e oito meses, outro de 16 anos, pais completamente destruídos. A vida de uma família inteira foi despedaçada por criminosos.”

Douglas reservou as críticas mais duras à forma como, segundo ele, o poder público trata a violência no estado. “Carlos foi fuzilado com uma arma de guerra. Levou um tiro na cabeça dentro de um carro descaracterizado, que poderia ser de qualquer trabalhador. Ele não morreu em confronto. Não teve chance de reação. Isso desmente quem insiste em dizer que não vivemos uma guerra e que esses bandidos não são terroristas”, declarou.

Ao encerrar, o vereador cobrou uma resposta mais firme das autoridades. “Não basta fazer mais uma operação. Enquanto chefes do tráfico com dezenas de passagens continuam soltos, famílias de policiais seguem enterrando seus filhos. A resposta precisa ser muito maior.”

O assassinato de Carlos Alberto Freire Neto continua sendo investigado pela Polícia Civil. A morte do agente provocou forte comoção entre integrantes das forças de segurança e reacendeu o debate sobre a violência enfrentada diariamente por policiais no Rio de Janeiro.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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