No Brasil, a impunidade não é apenas um problema: é praticamente um gênero literário. A prova viva disso atende pelo apelido de “Vovó do Tráfico”. A mulher foi presa pela quarta vez na mesma rua do Lavradio, no Centro do Rio. A cena já virou caricatura: policiais da 5ª DP (Mem de Sá) chegam, encontram a senhora vendendo drogas, levam para a delegacia, e pronto — até a próxima reprise.
O flagrante da vez
Na operação desta terça-feira (13/01), a “vovó” não estava sozinha. Um homem, outra mulher e uma adolescente de 16 anos foram flagrados também vendendo entorpecentes em plena vila da Lapa. O cardápio era variado: 100 sacolés de crack, 12 de cocaína e 16 de maconha. Tudo embalado no estilo “chup-chup”, como se fosse guloseima de verão — só que com efeito devastador.
A polícia fala, a lei cala
Segundo a Polícia Civil, a prisão de reincidentes é um retrato cruel da realidade: “leis brandas e lenientes” permitem que criminosos reincidam sem medo. Em outras palavras, o trabalho da polícia vira retrabalho. É como enxugar gelo, só que com algemas.
O espetáculo da impunidade
A “Vovó do Tráfico” já virou personagem folclórica da crônica policial carioca. Presa quatro vezes no mesmo endereço, ela parece desafiar a lógica: se a esquina é palco, o tráfico é peça, e a polícia, figurante. O público — a sociedade — assiste, indignado, mas já sem surpresa.
O que esperar da próxima temporada?
Com direito a adolescente apreendida e drogas embaladas como doces, o caso escancara a fragilidade do sistema. A reincidência não é acidente, é rotina. E enquanto a lei continuar a tratar o tráfico como um “vai e volta”, a “Vovó” pode muito bem ganhar uma quinta temporada.
