Na folha suplementar de dezembro, a Prefeitura do Rio liberou o Acordo de Resultados 2024, apelidado de “14º salário”. Para a maioria dos servidores, o brinde foi modesto — entre R$ 1 mil e R$ 5 mil, suficiente para pagar o IPVA ou garantir uma ceia mais farta. Mas em alguns gabinetes, o presente veio em dose dupla e com rótulo de luxo.
Um único servidor recebeu R$ 178.590,57 líquidos. Sim, quase R$ 180 mil de bônus, o que equivale a cerca de dez anos de salário mínimo em um único pagamento.
Os superprêmios se concentraram em áreas estratégicas:
– Secretaria Municipal de Fazenda: 93 felizardos
– Procuradoria Geral do Município: 62
– Controladoria Geral do Município: 42
Enquanto isso, 364 matrículas ultrapassaram a marca dos R$ 30 mil, transformando o “acordo de resultados” em um verdadeiro acordo de fortunas.
Panorama geral
– 20.060 servidores receberam entre R$ 1 mil e R$ 5 mil
– 11.535 ficaram na faixa de R$ 5 mil a R$ 15 mil
– No total, 32.802 servidores tiveram bônus acima de R$ 1 mil
O cálculo segue regras internas e decretos, mas o resultado é claro: para uns, um agrado simbólico; para outros, um prêmio que faria inveja a executivos de multinacionais.
Impacto: O “14º salário” escancara a desigualdade dentro da máquina pública. Enquanto milhares receberam valores que mal cobrem o aluguel, um servidor brindou com quase R$ 180 mil — um verdadeiro whisky importado pago com dinheiro público.
