Até quando? Polícia Civil recaptura mais de 30 bandidos com extensa ficha criminal

Jefferson Lemos
Boa parte dos caputurados nesta terça já havia sido presa anteriormente por crimes como roubo, receptação, estelionato e até tráfico de drogas. Mesmo assim, haviam sido colocados rapidamente em liberdade

Grande parte dos mais de 30 capturados na operação “OMIROS” da Polícia Civil, que desbaratou na manhã desta terça (18) uma quadrilha armada de ladrões de celulares, já havia sido presa anteriormente por crimes como roubo, receptação, estelionato e até tráfico de drogas. Mesmo assim, haviam sido colocados rapidamente em liberdade, permitindo que reincidissem com ainda mais sofisticação e violência, e que praticassem, inclusive, latrocínios durante os roubos dos aparelhos. A questão é: até quando vão continuar presos?

A quadrilha, que agia em áreas de grande circulação, como Duque de Caxias, Calçadão de Bangu e Central do Brasil, aterrorizava suas vítimas com violência física para exigir o desbloqueio do aparelho e tortura psicológica através do Whatsapp para, posteriormente, ter acesso a dados bancários. Entre os investigados, vários presos acumulam uma longa ficha criminal, com passagens por diversos delitos. A facilidade com que esses criminosos voltam a atuar refletem o fracasso da política de desencarceramento adotada pelo governo Lula, além da necessidade de uma mudança na legislação penal e na aplicação de penas no Brasil, que hoje se mostra benevolente com o bandido e cruel com a vítima da reincidência.

Diante da atual legislação, o trabalho de captura tem se tornado cada vez mais desafiador, quando os mesmos criminosos, que demandam operações complexas para serem capturados, retornam às ruas e reorganizam suas atividades com rapidez. Segundo a Polícia Civil, a brutalidade com que essas quadrilhas operam já resultou na perda de diversas vidas, vítimas que poderiam estar vivas hoje se esses criminosos não tivessem sido libertados repetidamente. “Cada celular roubado por essa organização representava não apenas um prejuízo material, mas uma ameaça real à vida das vítimas”, informou a corporação.

Tolerância zero

A operação da Polícia Civil teve repercussão entre a classe  política. Na Alerj, o presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia, deputado Márcio Gualberto (PL) destaca a importância da revisão de mecanismos como as audiências de custódia e as saidinhas de presos, e defende uma política de tolerância zero para os criminosos.

“As audiências de custódia deveriam estar preocupadas em fazer justiça, mas estão sendo usadas — com as exceções existentes, é claro — para dificultar o encarceramento de quem cometeu crime. Outra medida que aumenta a insegurança e colabora diretamente para a impunidade reinante é a esdrúxula saidinha. É um privilégio que não deveria existir para presos perigosos ou reincidentes. O bandido precisa ter a certeza de que o crime não compensa. Entretanto, para que isso ocorra, ele precisará ser durissimamente punido dentro da legalidade e do respeito à dignidade da pessoa humana. A tão falada ressocialização pode acontecer dentro da cadeia. Precisamos, enfim, de uma política de tolerância zero urgentemente”, alerta.

O deputado estadual Carlinhos BNH (PP), integrante da Comissão de Segurança, lembrou que além da legislação ultrapassada, a sociedade está refém  da ADPF635, medida judicial que restringe as operações das polícias nas favelas e outros redutos do crime organizado.

“É inaceitável que a lei proteja quem aterroriza e penaliza a população e as forças policiais, que estão amarradas pela ADPF 635. Precisamos urgentemente de mudanças para devolver a segurança às famílias e dar condições dignas de trabalho aos nossos policiais”, afirma Carlinhos BNH.

O deputado Rodrigo Amorim (União) considera a questão da reincidência uma das mais graves enfrentadas atualmente.

“Precisamos ter leis mais duras, eliminar as brechas que favorecem os criminosos, e para isso é importante que o Congresso Nacional tenha cada vez mais protagonismo”, destaca.

Quem também comentou o caso foi o deputado Renan Jordy (PL).

“Eu queria chamar atenção sobre como esses criminosos voltam às ruas com facilidade, em dias. Esses caras não ficam presos nem uma semana. Obviamente, são colocados às ruas para novamente praticar os mesmos crimes, roubando, sequestrando e impedindo a população de bem de ter o seu direito de ir e vir. De ir à sua casa, de ir ao seu trabalho, de levar o seu filho à escola em paz e em segurança. A gente precisa, urgentemente, rever a nossa legislação penal para dar à população de bem o direito à segurança pública, que é um direito dispensável. Sem a segurança pública, não há nada”, declarou Jordy.

Na Câmara do Rio, o vereador Rogério Amorim (PL) criticou a política do desencarceramento defendida pelo governo federal.

“A polícia arrisca a vida para prender, e a Justiça manda soltar. Quantas vezes mais esses bandidos vão precisar ser presos até ficarem atrás das grades de verdade? O sujeito tem 10, 20, 30 passagens pela polícia e continua na rua, roubando, torturando e matando. E a culpa é de quem? Da política frouxa de desencarceramento que o governo federal tanto defende. O trabalhador carioca anda com medo, enquanto o criminoso circula livremente, com a certeza de que, se for preso, volta logo para o crime. Isso não pode continuar!”, disse Rogério Amorim.

Violência e terror

O terror imposto às vítimas ia além do roubo de celulares, envolvendo exposição de dados pessoais e ameaças diretas contra vítimas e seus familiares. As investigações revelaram que o grupo não apenas subtraía os dispositivos, mas pressionava violentamente as vítimas para obter senhas e acessos aos dispositivos. Os criminosos faziam uso de ameaças diretas, intimidação psicológica e coação financeira, exigindo pagamentos ou informações sob a ameaça de represálias. Essa estratégia sofisticada tornava a organização ainda mais lucrativa, pois dispositivos desbloqueados têm maior valor de revenda e permitiam o acesso a contas bancárias e aplicativos financeiros das vítimas.

A Operação OMIROS mostrou como organizações criminosas altamente estruturadas conseguem se adaptar às brechas da lei para continuar lucrando com o crime, mesmo após diversas ações policiais. O impacto social dessas atividades vai além das perdas materiais: as vítimas sofrem não apenas com o roubo, mas também com a intimidação promovida pelos criminosos, que se sentem seguros na impunidade proporcionada pela legislação branda e pela dificuldade de manutenção das prisões preventivas.

  • Imagem/Reprodução TV Globo
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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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