Durante décadas, o crescimento urbano de São Gonçalo avançou em ritmo mais acelerado que a expansão da infraestrutura básica. Impulsionado pela proximidade com a capital fluminense e pela expansão da Região Metropolitana, o município, que é o segundo mais populoso do estado, com cerca de 960 mil habitantes, acumulou desafios históricos no saneamento, refletidos em rios degradados, valões a céu aberto e impactos diretos à saúde da população e ao meio ambiente. Mas o panorama está mudando, para o bem-estar e a qualidade de vida de seus moradores.
Com o objetivo de consolidar essa transformação, a Águas do Rio iniciou um investimento de R$ 133 milhões na ampliação dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto da cidade. As obras serão concluídas ainda este ano, beneficiando mais de 160 mil moradores e representando também um avanço importante para a recuperação ambiental da região.
Entre as frentes de trabalho mais relevantes da concessionária, que faz parte do grupo Aegea Saneamento, está o Coletor em Tempo Seco, sistema que atravessa sete bairros (Venda da Cruz, Neves, Vila Lage, Porto da Madama, Paraíso, Patronato e Porto Velho). Na prática, ele intercepta o esgoto que antes corria a céu aberto ou era lançado diretamente nos rios, sobretudo em períodos sem chuva, e passa a direcionar esse volume para tratamento adequado.

Alívio para a Baía de Guanabara
Com 5,6 quilômetros de rede, quatro estações elevatórias e cinco pontos de captação, o coletor vai retirar cerca de 12 milhões de litros de esgoto por dia desse fluxo irregular, reduzindo significativamente a carga poluente que chega a cursos d’água como o Rio Imboaçu e, consequentemente, à Baía de Guanabara.
Outras iniciativas reforçam esse movimento. Na Praia das Pedrinhas, a implantação de 1,3 quilômetro de rede de esgotamento sanitário já conectou imóveis e estabelecimentos comerciais, encerrando o despejo irregular de efluentes em um tradicional cartão-postal da cidade. No Mutondo, a entrega de 3,5 quilômetros de redes alterou a dinâmica de escoamento do esgoto e evitou que cerca de 7 milhões de litros por dia fossem lançados no Rio Alcântara, beneficiando diretamente cerca de 30 mil moradores de bairros do entorno, como Galo Branco, Rocha, Antonina, Nova Cidade, Alcântara, São Miguel, Trindade e Estrela do Norte. Os moradores desses bairros já percebem a diferente e apoiam as melhorias:
“A água aqui no Rio Alcântara era muito preta, não sei como a Águas do Rio conseguiu melhorar dessa maneira. Era um cheiro horrível, impregnava todas as casas aqui da região”, conta Eduardo da Conceição, de 72 anos, morador do Mutondo.

A percepção de quem vive essa mudança ajuda a dimensionar um problema que, por vezes, ainda é subestimado. Para Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil, a ausência de coleta e tratamento de esgoto impacta diretamente o desenvolvimento da população, especialmente das crianças.
“Saneamento é a base para a saúde e para o desenvolvimento social. Crianças sem acesso adequado ao saneamento ficam mais expostas a doenças como diarreia justamente nos primeiros anos de vida, fase decisiva para o crescimento físico e cognitivo. Esse impacto compromete não só o presente, mas também o futuro dessas gerações”, afirma.
Os avanços em curso começam a redesenhar a realidade de muitas famílias que conviviam diariamente com o desconforto e os riscos associados à degradação ambiental, como destaca Diogo Freitas, diretor-executivo da Águas do Rio.
“Os desafios eram muitos, mas hoje os avanços já começam a transformar a realidade. Com investimentos contínuos e atuação presente, a região de São Gonçalo passa a contar com rios mais limpos, comunidades mais atendidas e moradores que voltam a perceber valor no lugar onde vivem. Cada melhoria representa não apenas um ganho concreto na qualidade de vida, mas também o fortalecimento de uma relação mais sustentável entre cidade, pessoas e meio ambiente”, conclui.
