Rio tira dinheiro dos ônibus, amplia venda do Jaé em bancas e empurra subsídio das vans para 2027

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Foto - Eduardo Barreto/CMRJ

A decisão da Prefeitura do Rio de acabar com o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais a partir de 30 de maio dominou a audiência pública da Comissão de Transportes e Trânsito da Câmara nesta terça-feira (19).

Durante a audiência, o vereador Poubel (PL) questionou a transição e disse que a população está sendo empurrada para um sistema que ainda gera insegurança. “Nem todo mundo tem internet, nem todo mundo tem celular”, afirmou. Ele também lembrou o caos da implantação do Jaé e cobrou a volta dos cobradores. “Sabe por que não voltam? Porque não é benefício para os empresários. E quem sofre sempre é a população”, declarou.

Na leitura do vereador, a prefeitura vende a medida como modernização, mas, na prática, retira uma opção de pagamento sem garantir que o sistema esteja realmente preparado para absorver quem ainda depende do dinheiro vivo.

O presidente da comissão, Marcelo Diniz (PSD), concentrou a cobrança na falta de estrutura em áreas fora dos eixos de BRT e VLT. Citando o caso de Rio das Pedras, ele sugeriu que a prefeitura amplie os pontos de venda para dentro das comunidades e também integre lotéricas ao sistema de recarga.

No debate, o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, confirmou que o cartão Jaé passará a ser vendido também em bancas de jornal e que a rede de atendimento chegará a 1.340 pontos de compra e recarga a partir de sexta-feira (22). A mudança, porém, abriu nova frente de desgaste político. A vereadora Alana Passos (PL) já apresentou representação ao Ministério Público contra a medida da prefeitura, questionando os efeitos da retirada do dinheiro vivo sobre passageiros mais vulneráveis.

Ao defender a medida, Arraes afirmou ainda que o Rio não está criando nada fora da curva. Segundo ele, outras capitais já adotam modelo semelhante e a prefeitura apenas acompanha uma tendência de digitalização do transporte. Na apresentação levada à audiência, a secretaria alegou que o fim do dinheiro embarcado agiliza o embarque, reduz a exposição a assaltos, furtos e fraudes, melhora a regularidade das viagens e aumenta a rastreabilidade da arrecadação. Também citou experiências já em operação no VLT, no BRT, em linhas da Conexão BRT e na linha 634.

Segundo a prefeitura, o passageiro ainda poderá usar dinheiro em espécie para recarregar o Jaé em ATMs, bilheterias do BRT e terminais e nos postos espalhados pela cidade. Na apresentação, a secretaria informou a existência de 250 ATMs, 90 bilheterias e 700 pontos de recarga ativos, além da ampliação para 1.340 pontos de compra e recarga com a entrada das bancas credenciadas.

Outro ponto confirmado na audiência foi o esvaziamento do chamado cartão verde. Ele continuará servindo para viagem unitária, mas deixará de valer para integração tarifária. Quem quiser integrar modais terá de migrar para o cartão preto ou usar QR Code no celular. A justificativa da prefeitura é combater fraudes, especialmente o esquema conhecido como “janelinha”, em que passageiros usam cartões emprestados por criminosos para driblar a tarifa subsidiada.

Se no caso dos ônibus a prefeitura acelerou o cronograma, no transporte complementar a resposta foi outra. Arraes deixou claro que a discussão sobre subsídio para vans e cabritinhos ficará para o próximo ano, dentro da nova modelagem do Sistema Rio. Ou seja: a prefeitura aperta agora a mudança no ônibus, mas deixa para 2027 uma das partes mais sensíveis da conta do sistema.

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