O que antes parecia roteiro de guerra distante já virou realidade nas favelas do Rio. Um ex-combatente da guerra na Ucrânia estaria treinando traficantes do Comando Vermelho (CV) para operar drones de grande porte capazes de transportar armas pesadas entre comunidades dominadas pela facção.
A revelação, fruto de investigações da Secretaria de Segurança Pública, reforça um alerta que o Coisas da Política já havia antecipado: facções como CV e PCC passaram a enviar integrantes para zonas de conflito no Leste Europeu, com o objetivo de importar táticas militares e tecnologia de guerra para o Brasil.
Segundo a inteligência, o instrutor é um brasileiro que atuou como voluntário no conflito entre Ucrânia e Rússia e retornou recentemente ao Rio. Ele teria passado cerca de um ano em áreas de combate — experiência que agora estaria sendo repassada diretamente ao crime organizado.
CV e PCC infiltram mercenários na Ucrânia para importar táticas e armamento pesado
Os drones utilizados não são equipamentos improvisados. Tratam-se de aeronaves originalmente desenvolvidas para uso agrícola e transporte de carga, com capacidade para levar até 80 quilos e autonomia de cerca de 12 quilômetros. Cada unidade pode ultrapassar os R$ 200 mil — e, segundo investigadores, é capaz de transportar o equivalente a até 20 fuzis, como FAL e AR-15, em um único voo.
A movimentação chamou atenção após policiais monitorarem um treinamento no Complexo do Alemão. Imagens aéreas mostram um drone com cerca de três metros de comprimento cercado por pelo menos dez pessoas antes da decolagem — uma cena mais comum em campos de batalha do que em áreas urbanas.
As suspeitas indicam que os treinamentos ocorrem tanto no Alemão quanto no Complexo da Penha, redutos estratégicos da facção.
Presente de guerra e cúpula escondida
A investigação também aponta um elo simbólico — e preocupante — entre o front europeu e o crime no Rio. O ex-combatente teria presenteado Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, um dos principais nomes do CV, com uma placa balística usada durante a guerra.
Além dele, outros líderes de peso estariam escondidos nas regiões monitoradas, como “Gardenal”, “Pedro Bala” e “Pezão”. Juntos, eles somam dezenas de mandados de prisão em aberto, evidenciando o tamanho da estrutura criminosa ainda ativa.
Drones, granadas e escalada tecnológica
O uso de drones pelo tráfico não é novidade, mas o nível de sofisticação preocupa. Em 2024, uma aeronave não tripulada chegou a lançar granadas em disputa territorial na Gardênia Azul. O operador, um ex-militar da Marinha, acabou preso e expulso da corporação.
Agora, com treinamento de guerra real, o cenário muda de patamar.
Para tentar reagir, a Polícia Civil criou recentemente uma coordenadoria específica para operações com drones, equipada com tecnologia de ponta, incluindo sensores térmicos e reconhecimento facial.
Guerra importada
A conexão com a Ucrânia amplia ainda mais o alerta. Como revelou o Coisas da Política, criminosos brasileiros têm se infiltrado como mercenários no conflito europeu para aprender técnicas de combate e facilitar o acesso a armamentos pesados.
Autoridades e especialistas são diretos: o retorno desses combatentes pode transformar o crime organizado no Brasil.
A guerra, ao que tudo indica, já não está tão distante assim.
