Carnaval do Rio registra queda histórica de crimes, mas 200 presos durante a folia voltam às ruas após audiência de custódia

Jefferson Lemos
Por trás das estatísticas, a realidade expõe um problema crônico: a sensação de que a polícia “enxuga gelo” (Divulgação/Pmerj)

O balanço oficial do Carnaval 2026 no Rio de Janeiro divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Governo do Estado mostra números positivos: 731 pessoas foram presas durante os dias de folia, segundo o governo estadual. Houve ainda uma redução de 43,5% nos crimes contra turistas em relação ao ano anterior e queda de 26,3% nos furtos e roubos de celulares e contra transeuntes. Autoridades classificaram a festa como “o melhor carnaval dos últimos anos” em termos de segurança pública.

Mas por trás das estatísticas, a realidade expõe um problema crônico: a sensação de que a polícia “enxuga gelo”. De acordo com o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, quase 30% dos presos já estão de volta às ruas após audiências de custódia. Isso significa que mais de 200 detidos durante a festa foram liberados em poucos dias, reacendendo o debate sobre a efetividade das operações policiais e a legislação branda e ultrapassada na manutenção da ordem.

Impacto na percepção pública

Enquanto os números oficiais destacam quedas expressivas nos crimes contra turistas e nos furtos de celulares, a rápida liberação de presos gera indignação e reforça a ideia de que a legislação não consegue sustentar os avanços da polícia. A festa pode ter sido “mais segura” nos indicadores, mas a sensação de impunidade permanece como sombra sobre o Carnaval carioca.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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