Com investimento estimado em R$ 215,7 milhões em 2026 e chegando a R$ 463,2 milhões em 2027, a Prefeitura do Rio lançou sua “Divisão de Elite” da Guarda Municipal com pompa e circunstância. O discurso era de impacto, tecnologia e presença ostensiva. O resultado, porém, até agora cabe em uma nota de rodapé: em nove dias, cinco prisões e dois adolescentes encaminhados à delegacia em nove dias de operação. No total com segurança, a prefeitura pretende gastar R$ 1,1 bilhão em ano eleitoral, um aumento de 35% em relação ao orçamento anterior.
O balanço tímido
Entre 15 e 24 de março, a Força Municipal atuou em áreas como Rodoviária do Rio, Terminal Gentileza, Estação Leopoldina e Jardim de Alah. O relatório oficial, apresentado nesta terça-feira (24), destacou três casos: uma tentativa de roubo em ônibus na Cidade Nova e duas prisões por bicicletas furtadas na Zona Sul. Nada que justifique o rótulo de “elite” ou o peso milionário do investimento.
A promessa de expansão
Apesar do saldo modesto, o governo municipal anunciou que, a partir de domingo (29), o patrulhamento será ampliado para pontos icônicos do Centro: Avenida Presidente Vargas, Campo de Santana, Central do Brasil e Cinelândia. A expectativa é que a operação ganhe visibilidade e, quem sabe, números mais robustos.
O discurso oficial
O próprio secretário de Segurança Urbana, Brenno Carnevale, tratou de baixar a bola: “Não há qualquer empolgação ou senso de dever cumprido. É um trabalho que está começando e exige atenção permanente nas ruas.”
Entre marketing e realidade
– Promessa: tropa armada de elite, 600 agentes, tecnologia de ponta e 10 mil câmeras espalhadas pela cidade.
– Realidade: cinco prisões em nove dias, números que lembram mais boletim de rotina do que operação de impacto.
– Risco: virar vitrine política sem entregar a redução da criminalidade que a população espera.
Discurso grandioso, mas…
A Força Municipal estreia com discurso grandioso e orçamento bilionário, mas até agora entrega pouco mais que estatísticas modestas. A expansão para o coração do Centro será o teste decisivo: ou os resultados aparecem, ou a “elite” corre o risco de ser lembrada como mais uma operação que começou com fanfarra e terminou em silêncio.
- com informações do Agenda do Poder
