Os números de 2025 escancaram uma realidade desconfortável: o consumo digital global está cada vez mais orientado pelo sexo e o prazer imediato, em detrimento da busca por conhecimento. O OnlyFans faturou US$ 7,2 bilhões no mundo em 2025, um crescimento de 9% em relação ao ano anterior, consolidando-se como um dos motores centrais da Creator Economy.
Nos EUA, por exemplo, o gasto dos consumidores na plataforma atingiu US$ 2,6 bilhões em um único ano, o equivalente a US$ 7,9 milhões por dia. Para efeito de comparação, esse montante superou o faturamento combinado do New York Times e do ChatGPT, dois serviços associados à informação e ao conhecimento.
Brasil: segundo maior mercado de criadores
Esse comportamento também se reflete no consumo brasileiro. Plataformas como o OnlyFans confirmam aumento expressivo de contas brasileiras, acompanhando a tendência global, embora não revelem números específicos sobre o país. Estimativas apontam que criadores locais comuns podem faturar até R$ 11 mil por mês, dependendo da base de assinantes e da intensidade de interação com o público.
Zoom out: um dilema mundial
A questão central não é apenas econômica, mas cultural. Enquanto assinar um jornal ou uma ferramenta de inteligência artificial representa investimento em conhecimento, o consumo em plataformas como o OnlyFans reflete a busca por prazer imediato.
Em outras palavras, estamos dispostos a gastar mais para satisfazer desejos do que para ampliar nossa inteligência. O Brasil não escapa dessa lógica: aqui também cresce o número de usuários que destinam parte significativa da renda a plataformas de entretenimento digital, muitas vezes em detrimento de serviços educativos ou informativos.
O grande dilema é: o que nossas escolhas de consumo dizem sobre o futuro de nossa sociedade?
