A folha de pagamento da Prefeitura de Arraial do Cabo revela um retrato que chama atenção: três em cada quatro vínculos ativos pertencem a contratos temporários ou cargos em comissão. Os dados, disponíveis no Portal da Transparência do município, mostram que, em junho de 2026, essas duas categorias somavam 3.984 das 5.257 matrículas registradas, o equivalente a 75,8% do total. Em julho, o percentual praticamente não mudou: 75,7%.
O maior grupo é o dos contratos temporários, que representam mais da metade de toda a força de trabalho da Prefeitura. Em junho, eram 2.924 matrículas (55,6%), enquanto outras 1.060 estavam classificadas como cargos em comissão (20,2%). A estabilidade dos números no mês seguinte reforça que não se trata de uma situação pontual, mas de um modelo de contratação adotado pela administração.
Os próprios dados oficiais também mostram que o número de matrículas identificadas como comissionadas é praticamente o mesmo de servidores estatutários. Em junho, eram 1.260 comissionados contra 1.231 estatutários; em julho, 1.262 contra 1.228. A base informa que as categorias podem se sobrepor, já que um servidor efetivo pode ocupar um cargo comissionado, motivo pelo qual esses quantitativos não devem ser simplesmente somados.
O impacto também aparece no bolso do contribuinte. Somente em junho, a folha bruta da Prefeitura alcançou R$ 20,02 milhões. Desse total, R$ 8,78 milhões foram pagos a contratos temporários e R$ 3,8 milhões aos vínculos classificados como comissão. Juntas, essas duas categorias consumiram cerca de R$ 12,6 milhões — quase dois terços de toda a folha salarial do município.
Ter um número elevado de temporários e comissionados não configura, por si só, irregularidade. A Constituição prevê essas formas de contratação em hipóteses específicas. No entanto, quando elas passam a representar a maior parte da estrutura de pessoal, a situação costuma atrair a atenção dos órgãos de fiscalização. A prefeitura não se pronunciou sobre o caso. O espaço segue aberto para pronunciamento oficial.
