A Câmara de Quissamã abriu uma licitação de R$ 174,3 mil para contratar buffet em sessões solenes, audiências públicas e eventos institucionais.
No pacote, entram coquetéis, garçons, bebidas, frios, empratados e estrutura de apoio. Até aqui, o Diário Oficial só ajeita o guardanapo.
O detalhe está na empresa que apresentou o menor preço: ela aparece ligada a um caso que acabou em ação civil pública por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Rio em 2019.
Na época, o MPRJ investigou contratações de buffet, som, iluminação e estrutura para a posse dos eleitos de Quissamã em 2017. Segundo a ação, a cerimônia teria passado do tom institucional para uma “grande festa” para cerca de 1.500 pessoas.
O caso chegou ao Tribunal de Justiça, que manteve condenação por improbidade dos responsáveis pela contratação, apontando despesas consideradas desnecessárias e incompatíveis com a finalidade do evento.
Agora, no novo edital, a Câmara prevê registro de preços por 12 meses. O cardápio administrativo vem com samovares em prata, taças de vidro fino, porcelana branca, presunto de Parma e equipe uniformizada.
Em Quissamã, pelo visto, solenidade pública não aceita qualquer bandeja. O problema é quando o buffet vem com memória.

