O Carnaval já passou, mas em Niterói parece que a apuração nunca termina. Entre os dias 14 e 20 de maio de 2026, a Secretaria Municipal das Culturas autorizou uma sequência de contratos e patrocínios culturais que, somados, dão R$ 541 mil reais. Tudo publicado no Diário Oficial, com aquele brilho discreto que só a burocracia sabe dar.
No dia 14 de maio, entrou na roda o projeto “Carnaval Niterói”, com patrocínio de R$ 59 mil por contratação direta. No dia seguinte, o DO virou praticamente um line-up: teve Arton Arraes Blues Band, Clapton Maníacos, Bella Godiva, Nanda Moura e o show “RAY”, de Rayane Fortes. Só em apresentações musicais, foram R$ 57,5 mil.
Ainda em 15 de maio, vieram mais três patrocínios culturais: R$ 53 mil para o Coral Cauby Peixoto, R$ 55 mil para o projeto “Direitos Culturais e Direitos das Crianças” e R$ 59.940 para o AJOLAB – Laboratório de Artes Negras Integradas. Total do dia: R$ 225.440,00.
A cereja da alegoria veio em 20 de maio. Mais R$ 200 mil para o projeto “Carnaval Niterói”, desta vez para a empresa Renata Xavier da Cunha, por inexigibilidade de licitação, com base no artigo 74 da Lei 14.133/2021. No mesmo dia, a Secretaria também autorizou R$ 57 mil para o projeto “Palco Cultural – 2ª Edição”, da empresa ARG Signorelli – Comércio e Produção Musical.
Enquanto a cidade segue com trânsito, buraco, calçada quebrada e serviços públicos no repertório de sempre, o Diário Oficial desfila outra realidade: patrocínio, show, coquetel cultural e inexigibilidade no ritmo do tamborim.
Em Niterói, pelo visto, o orçamento para a cultura não para.
Questionada sobre os motivos da nova suspensão do processo licitatório, a Prefeitura de Niterói não retornou nossa equipe até a última atualização. O espaço segue aberto.




