Tem contrato que chama atenção pelo valor. Tem contrato que chama atenção pela empresa. E tem contrato que consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Em Nova Friburgo, o evento “Um Encanto de Natal”, que promete apresentações artísticas e intervenções cenográficas entre 6 de novembro de 2026 e 3 de janeiro de 2027, acaba de entrar nessa categoria.
No Diário Oficial de 22 de setembro, a Prefeitura publicou a ratificação da inexigibilidade de licitação para a contratação da Urbani & Cadorin Ltda., favorecida no processo nº 013077/2026, pelo valor de R$ 2.373.910,51.
Até aí, apenas um contrato milionário para uma programação natalina.
O detalhe é que, no dia seguinte, 23 de setembro, o mesmo processo apareceu novamente no Diário Oficial — e o valor já era outro: R$ 3.188.634,84.
R$ 814 mil a mais em 24 horas
A diferença não é exatamente troco de Natal.
Entre um documento e outro, uma alta de aproximadamente 34,3%.
E tem mais.
A empresa contratada aparece em uma investigação do Ministério Público do Paraná (MPPR) envolvendo a execução do Natal de 2024 na cidade de Francisco Beltrão, no Paraná, incluindo a terceirização e eventual nepotismo envolvendo a execução artística do evento.
Entre as diligências determinadas pela Promotoria está justamente a verificação da composição societária das empresas subcontratadas para o Natal e de eventual vínculo de parentesco com o então diretor de Cultura.
A investigação não é em Nova Friburgo
Aqui é preciso separar as coisas — e isso é importante.
O número, por si só, também não prova irregularidade. Pode haver uma alteração formal no processo, acréscimo de itens ou outra justificativa administrativa.
Mas, quando uma contratação pública salta 34,3% em apenas um dia entre duas publicações oficiais, a pergunta é inevitável:
o que mudou no contrato entre 22 e 23 de setembro?
Com a palavra, a prefeitura. O espaço segue aberto para esclarecimentos.


