Como a ‘poderosa democracia’ chinesa calou até o Mbappé — e o recado para o Brasil

Jefferson Lemos

Se a China consegue dobrar o jogador de futebol mais famoso do mundo, imagina o que não faz com o resto? Mbappé sentiu isso na pele. Em uma conversa solta num podcast, o astro do Real Madrid reagiu a uma montagem de internet e apenas sorriu, insinuando que Mao Tsé-Tung era um ditador. Foi o bastante. A reação de Pequim foi avassaladora: patrocinadores chineses rescindiram contratos milionários na hora, jogos foram cortados da TV e o craque teve que gravar um pedido de desculpas em mandarim para estancar a sangria.

Essa é a “democracia” chinesa na prática: zero tolerância para quem discorda. Para quem vive na China, a situação é pior ainda. Por lá, a internet é totalmente vigiada por um sistema de censura que apaga posts e derruba contas em segundos. Se para quem é de fora o castigo é no bolso, para quem é de dentro a conta é muito mais alta. A tenista chinesa Peng Shuai denunciou um cacique do Partido Comunista por abuso sexual em 2021 e simplesmente sumiu do mapa. Quando reapareceu, parecia um robô lendo um script do governo dizendo que “estava tudo bem”.

A estratégia do regime para os de fora é a chantagem econômica através de um mercado de 1,4 bilhão de pessoas. Se uma empresa, um clube ou uma liga esportiva quiser vender na China, precisa calar a boca dos seus atletas. A NBA já se curvou, a Premier League já se curvou e o Real Madrid teve que pisar em ovos.Quem manda na narrativa externa é o dinheiro do Partido Comunista.

Já para a população local, a opressão funciona via censura direta e controle absoluto das redes sociais sob as rédeas do Estado. Qualquer um que se opõe ao Partido é silenciado em milissegundos.

Quando o governo ganha o poder de decidir o que é “verdade” ou “desinformação” na internet, a liberdade de expressão morre. A lição que fica do caso Mbappé é direta e reta: o autoritarismo começa devagar, atropelando regras e mudando leis com a desculpa de “proteger a ordem”, até que ninguém mais possa dar um pio.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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