A vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia não foi só apertada — foi um recado político. Com 49,66% contra 48,7% de Iván Cepeda, o resultado parcial coloca a direita na frente no continente: agora são 7 dos 12 países sul-americanos sob esse campo. É a virada mais clara dos últimos anos — e ainda pode crescer.
Antes mesmo da eleição, pesquisas já indicavam Espriella como o nome mais competitivo contra Cepeda — em alguns cenários, aparecendo até na liderança para a disputa, cujo primeiro turno ocorreu em 31 de maio. Ele chega ao poder embalado por uma campanha agressiva, com discurso direto e forte apelo popular, surfando o desgaste da esquerda no país.
Criador do movimento “Defensores da Pátria”, Espriella é frequentemente comparado a Javier Milei. Não é só pelo estilo: ele defende liberdade econômica, corte de gastos públicos e um Estado mais enxuto. Até o marketing segue a mesma linha — enquanto Milei adotou o leão, Espriella levou o tigre como símbolo da campanha, reforçando a imagem de força e ruptura.
No campo ideológico, o pacote é claro: posições conservadoras, restrições ao aborto e promessa de “mão de ferro” contra o crime organizado. É justamente essa combinação — economia liberal com segurança rígida — que tem impulsionado candidatos de direita em toda a região, como já visto no Chile e na Bolívia.
E o movimento pode ganhar ainda mais força. No Peru, Keiko Fujimori lidera a apuração com 50,11% contra 49,88% de Roberto Sánchez. Se confirmado, o resultado mantém o país no mesmo eixo e amplia a vantagem da direita no mapa sul-americano. O recado das urnas é direto: o pêndulo virou — e, por enquanto, segue nessa direção.
