No último confronto antes de os eleitores irem às urnas, o debate da TV Globo definiu o tom da reta final da campanha. Flávio Bolsonaro (PL) cumpriu seu objetivo com precisão ao encurralar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e expor as vulnerabilidades do atual governo diante das cobranças cotidianas da população.
A frase que selou o embate veio em tom de provocação direta: “Ô Lula, quem é que governa o Brasil? É você ou é o Google?”. Ao ironizar o hábito do petista de recomendar buscas na internet em vez de apresentar respostas objetivas, o senador desmontou a narrativa do adversário e fixou a percepção de um governante desconectado da realidade. O episódio sintetizou a dinâmica do encontro: um Lula reativo e preso ao passado contra um Flávio ofensivo e focado nas dores imediatas do cidadão.
A economia real versus o discurso oficial
Foi na discussão econômica que a estratégia de Flávio se mostrou mais eficaz ao traduzir o custo de vida em linguagem direta: “Não adianta nada, Lula, o salário mínimo estar em R$ 1.621 se você dá com uma mão e tira com os impostos”. A crítica atingiu o ponto sensível da gestão petista, marcada pelo aumento da carga tributária. A ironia de que o brasileiro deixou de parcelar eletrodomésticos para parcelar o que coloca dentro da geladeira ressoou com as famílias endividadas. Ao contestar o programa Desenrola com o disparo “Você enrola a população”, Flávio apresentou o Banco da Prosperidade como alternativa concreta para o refinanciamento de débitos.
Obras paradas e o desgaste das promessas
No bloco de infraestrutura, o senador apoiou-se em dados do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre mais de 11,5 mil obras paralisadas para colocar a gestão federal na defensiva. A tentativa de Lula de terceirizar responsabilidades a governos anteriores soou gasta. Em contrapartida, Flávio acenou ao agronegócio com propostas de desburocratização do crédito rural, garantia de recursos para o Plano Safra e expansão da malha ferroviária.
Firmeza na segurança pública
Na segurança, pauta central do eleitorado, Flávio assumiu a liderança ao defender o enquadramento de facções como o Comando Vermelho e o PCC, além das milícias, como organizações narcoterroristas. Sua agenda incluiu o endurecimento de penas, a redução da maioridade penal para 16 anos e punições severas para furtos de celulares. Mesmo diante de ataques pessoais do adversário, o senador manteve o controle do tempo e desarmou as provocações sem cair em bate-bocas estéreis.
O saldo do último debate na TV Globo mostrou um presidente dependente de justificativas externas e um opositor que soube canalizar a insatisfação popular. Ao ditar o ritmo da discussão e enquadrar o governo em suas fragilidades fiscais e operacionais, Flávio Bolsonaro saiu do estúdio fortalecido às vésperas da votação.
