A crise da Unimed Ferj voltou ao centro das atenções na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A Comissão de Defesa do Consumidor (Codecon) cobrou explicações da operadora e da Unimed Brasil sobre os cancelamentos de atendimentos que vêm afetando milhares de segurados.
Na audiência pública realizada nesta quinta-feira (5), deputados, órgãos de defesa do consumidor e representantes da saúde denunciaram o colapso no sistema, que já se arrasta há mais de um ano. Em novembro de 2025, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que a Unimed Brasil assumisse a assistência médica de mais de 234 mil clientes da Ferj, após sucessivas falhas no atendimento.
O presidente da Codecon, deputado Fabio Silva (União), foi enfático: “Os consumidores não podem viver na incerteza se terão atendimento quando precisarem. Nosso papel é cobrar respostas e garantir que essa negligência não continue.”
A gravidade da situação foi reforçada por Wilson Marques Vieira Júnior, da ANS, que lembrou que pacientes oncológicos e crianças com Transtorno do Espectro Autista ficaram sem tratamento durante o auge da crise. Hospitais também denunciam dívidas bilionárias da operadora — segundo a Associação de Hospitais do Estado do Rio, o débito chega a R$ 1,5 bilhão.
Representantes do Procon e da Defensoria Pública relataram casos dramáticos de famílias que, mesmo com mensalidades em dia, não conseguem acesso a terapias essenciais. Fabiane Simão, mãe de um menino com paralisia cerebral e autismo, emocionou os presentes ao contar que o filho está há nove meses sem tratamento: “Nossos filhos têm direitos, mas eles são negados diariamente.”
Enquanto isso, a Unimed Ferj alega que herdou dívidas da Unimed Rio e contesta parte dos valores cobrados pelos hospitais. Os presidentes da Unimed Ferj e da Unimed Brasil foram convidados para a audiência, mas não compareceram.
O impasse expõe um drama que mistura dívidas bilionárias, falhas de gestão e, sobretudo, o sofrimento de milhares de consumidores que pagam por um serviço que não recebem.
