O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou nesta segunda-feira (6) um requerimento para estender por mais 60 dias os trabalhos da comissão. A proposta já conta com o apoio de 28 parlamentares — número superior ao mínimo exigido para tramitação — e promete manter acesa uma das investigações mais sensíveis em curso no Congresso.
Criada para desvendar a atuação de facções e milícias, a CPI avançou sobre esquemas de financiamento ilícito e revelou indícios de infiltração dessas redes na economia formal. Vieira sustenta que o colegiado atingiu uma fase crítica, especialmente diante dos desdobramentos do chamado caso Master, apontado como exemplo de risco sistêmico e corrupção em larga escala.
“O crime organizado opera hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, utilizando redes sofisticadas de lavagem de capitais e explorando brechas regulatórias”, afirmou o senador.
Provas e novas oitivas
Segundo o relator, o volume de documentos e provas acumulados exige análise minuciosa e cruzamento de dados sensíveis. Ele defende a realização de novas oitivas consideradas essenciais, além de audiências com governadores e secretários de segurança pública de diferentes estados, para aprofundar o diagnóstico sobre a presença das facções.
Vieira alerta que encerrar a CPI antes da conclusão dos trabalhos seria um “retrocesso na elucidação da infiltração do crime organizado na economia brasileira” e um “prejuízo incalculável ao interesse público”.
Decisão nas mãos do Congresso
A prorrogação agora depende da deliberação do Congresso Nacional. Caso seja aprovada, a CPI terá mais dois meses para avançar sobre os bastidores do crime organizado e suas conexões com setores da economia e da política.
