Levantamento da Quaest sobre cenários de segundo turno divulgado nesta quarta (6) revela um recorte que acompanha o mapa da violência no Brasil: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentra vantagem eleitoral em estados com maiores taxas de homicídio, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) lidera em regiões com índices significativamente mais baixos.
Nos estados em que Lula aparece à frente — como Bahia (55% a 22%), Pernambuco (57% a 23%) e Ceará (56% a 28%) — estão alguns dos maiores níveis de violência do país. Segundo o Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Bahia registra cerca de 47 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto Pernambuco tem aproximadamente 35 e o Ceará cerca de 34 — todos muito acima da média nacional, na casa de 22 por 100 mil habitantes.
No Pará, onde Lula também lidera (43% a 36%), a taxa gira em torno de 30 homicídios por 100 mil habitantes, reforçando a concentração da violência nas regiões Norte e Nordeste.
O contraste aparece nos estados onde Flávio Bolsonaro tem vantagem. Em São Paulo (47% a 35%), a taxa é de cerca de 8 homicídios por 100 mil habitantes, uma das mais baixas do país. No Paraná (50% a 30%), o índice fica em torno de 19 por 100 mil, enquanto no Rio Grande do Sul (57% a 31%) gira em torno de 18 por 100 mil — todos abaixo ou próximos da média nacional.
A comparação evidencia um padrão territorial: Lula lidera em estados com níveis mais elevados de violência letal, enquanto seu adversário avança em regiões relativamente mais seguras. A pesquisa Quaest, realizada com 11.646 entrevistas entre 21 e 28 de abril e margem de erro de três pontos, sugere que o mapa eleitoral brasileiro segue refletindo inclusive na segurança pública.
