Vereador saca mandioca gigante após ter microfone cortado

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução

Em Cachoeiras de Macacu, a política ganhou tempero surreal nesta semana. O que deveria ser uma sessão burocrática virou espetáculo: diante do microfone cortado, o vereador Edgar de Castro não apelou ao regimento, mas à agricultura. Sacou uma mandioca monumental e a ergueu como quem diz: se a voz não fala, a raiz grita.

O tubérculo virou protagonista, eclipsando discursos e arrancando risos contidos. Por alguns minutos, o “mandiocão” foi o parlamentar mais influente da Casa. Quem sabe, na próxima sessão, surjam abóboras para o orçamento ou quiabos para a retórica escorregadia.

O gesto, além de meme instantâneo, resgatou o espírito da Constituição de 1823, apelidada de “Carta da Mandioca”, quando farinha era critério de voto. Dois séculos depois, a raiz volta ao plenário — não como símbolo de poder econômico, mas como estandarte da indignação.

E, para completar o roteiro, ecoou a profecia de Brasília: em 2015, Dilma Rousseff saudou a mandioca como conquista nacional. Ridicularizada na época, hoje parece visionária. Afinal, a mandioca não é só alimento: é resistência, é cena, é arma política. No Brasil, poder e raiz continuam de mãos dadas — permanecendo como a única base sólida (e fibrosa) da nossa democracia.

 

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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