PF trava armas da Divisão de Elite da Guarda Municipal e oposição acusa Paes de transformar segurança pública em improviso

Jefferson Lemos

A decisão da Polícia Federal de negar o porte de armas à Divisão de Elite da Guarda Municipal do Rio serviu de munição para a oposição. Vereadores aproveitaram o episódio para atacar diretamente o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o modelo de contratação de agentes temporários para a tropa.

O vereador Rogério Amorim (PL) afirmou que a negativa da PF foi correta e expôs a fragilidade da iniciativa:

“O que a PF faz acertadamente é negar o porte de arma a um grupo temporário, sem embasamento jurídico, que ele colocou para fazer a segurança sem qualquer transparência. São pessoas que só servirão ao Rio por cinco anos. Depois disso, vão estar aonde? Quem conhece o mínimo de segurança pública sabe que não dá para brincar com temporários. Eduardo Paes prova mais uma vez que trata a segurança pública como trata o carnaval: galhofa!”, disse, alertando para o desemprego dos agentes após o fim do contrato, que ficarão expostos ao aliciamento pelo crime organizado.

Na mesma linha, o vereador Fernando Armelau (PL) ironizou a postura do prefeito e criticou a Câmara por ter aprovado a medida:

“Tá todo mundo errado e só o prefeito do Rio está certo? Ele é o único que contratou o modelo perfeito de temporários para a nossa segurança? Quem vai colocar sua vida em risco sabendo que amanhã estará desempregado? Sempre questionei a constitucionalidade da medida. O guarda armado de Paes é um servidor temporário e descartável. É uma vergonha para a Câmara que aprovou essa barbaridade, graças à base subserviente ao prefeito.”

Armas entregues, mas sem uso

O arsenal de 1,5 mil pistolas Glock já foi entregue em cerimônia na PRF, em Irajá, mas permanece sem utilização. A Prefeitura ainda pode recorrer à Coordenação-Geral de Controle de Armas de Fogo, em Brasília, ou rever a composição da tropa para atender às exigências legais.

Contestação judicial e pressão institucional

Entidades como a Fenaguardas já acionaram a Justiça contra leis municipais que permitem a contratação de agentes temporários para divisões armadas. O ministro Edson Fachin, do STF, também pediu explicações sobre a legalidade de guardas armados sem vínculo efetivo.

Prefeitura minimiza impasse

Em nota, a Prefeitura afirmou que o processo “está em curso” e que todos os agentes passaram por curso de formação aplicado pela PRF e pela Senasp. Segundo o comunicado, os trâmites legais estão sendo cumpridos e os equipamentos já foram homologados.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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