Não é mais só exploração sexual. Agora, criminosos estão traficando pessoas para trabalhar à força em verdadeiras “centrais do crime” no sudeste asiático, principalmente em Mianmar, Camboja, Laos, Filipinas e Tailândia.
Fontes da ONU indicam que pelo menos 120 mil pessoas de vários países podem estar detidas em Mianmar, forçadas a aplicar golpes online. No Camboja, estima-se que sejam cerca de 100 mil nesta situação.
O alerta foi feito por especialistas em audiência nest quarta (10) na Câmara dos Deputados. O embaixador Aloysio Mares, representante do Itamaraty, revelou que o alvo são jovens com conhecimento em tecnologia, atraídos por promessas de emprego com alta remuneração no exterior. Muitas vítimas têm formação universitária e são multilíngues.
Chegando lá, a realidade é outra: documentos confiscados, salário zero e ameaça constante de violência, como tortura e violência sexual. Segundo Mares, as vítimas são obrigadas a aplicar golpes online — de criptomoedas a falsos romances — e ainda precisam recrutar novos brasileiros para o esquema.
Os números oficiais mostram 153 casos confirmados em 2023 e 152 casos em 2024. Mas o próprio Itamaraty admite: é só a ponta do iceberg devido à subnotificação.
A coordenadora do Ministério da Justiça, Marina Bernardes de Almeida, alerta que criminosos usam aplicativos para monitorar as vítimas 24 horas por dia, dificultando pedidos de socorro.
Outro dado preocupa. A deputada Carla Dickson chama atenção para a ausência de dados sobre crianças traficadas internacionalmente, mesmo com milhares de desaparecidos no Brasil — o que pode indicar outras subnotificação grave.
Enquanto isso, brasileiros seguem sendo enganados, sequestrados e transformados em peças de um esquema global de golpes digitais.
