Prepare o bolso: Câmara aprova urgência e 2026 pode ter imposto até para quem ficar parado no engarrafamento

Jefferson Lemos
Agora, em vez de melhorar o serviço, a solução encontrada é punir quem usa carro. (Arquivo/EBC)

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, a urgência para o Projeto de Lei 3278/2021, que cria o novo marco legal do transporte público coletivo urbano. Traduzindo: prefeitos e governadores poderão cobrar taxas por congestionamento, estacionamento, circulação em trechos das cidades e até por emissão de poluentes. Em resumo, o motorista brasileiro, que já paga caro por combustível, IPVA e seguro, pode começar 2026 com a conta ainda mais salgada — inclusive quando estiver parado no engarrafamento.

O transporte público como desculpa

O argumento oficial é nobre: financiar ônibus e metrô, separar o custo real da operação da tarifa paga pelo passageiro e garantir “mobilidade sustentável”. Mas a realidade é que a população evita o transporte coletivo porque ele é precário, lotado, sem climatização, sem pontualidade e sem conforto. Agora, em vez de melhorar o serviço, a solução encontrada é punir quem usa carro.

Comparações não colam

Defensores do projeto dizem que a medida segue modelos internacionais, como o pedágio urbano de Londres. A diferença é que lá o metrô funciona, os ônibus têm ar-condicionado e os horários são respeitados. Aqui, o risco é transformar o motorista em caixa eletrônico ambulante, sem que o passageiro veja qualquer melhora na catraca.

Transparência prometida, desconfiança garantida

O texto prevê transparência total nos custos e dados de bilhetagem, para acabar com a “caixa preta” do setor. Mas o brasileiro já aprendeu que promessa de transparência costuma ser tão confiável quanto tabela de horário de ônibus: existe no papel, mas na prática não aparece.

Mobilização contra o ‘imposto do trânsito’

O deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) reagiu à aprovação da urgência e anunciou mobilização para barrar o projeto. Ele classificou a proposta como um “imposto do congestionamento” e afirmou que vai articular apoio para impedir a criação de novas cobranças sobre motoristas. Kataguiri também pretende acelerar a tramitação de sua PEC que reduz o IPVA, como contraponto ao avanço do PL 3278. (Veja o vídeo)

O próximo capítulo

Com a urgência aprovada, o mérito do projeto será votado em plenário. Se passar, segue para sanção presidencial. Prefeitos e governadores já enxergam novas fontes de receita. Motoristas, por sua vez, começam a se perguntar se não será mais barato aprender a teletransportar-se.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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