Mal os motoristas terminaram de se acostumar — e de pagar caro — pelas placas do padrão Mercosul, e pode vir aí mais uma mudança. O Congresso avança com o Projeto de Lei 3.214/2023, de autoria do senador Esperidião Amin (PP-SC), que foi aprovado na Comissão de Viação e Transportes da Câmara e agora segue para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se passar sem recurso, pode ir direto para sanção presidencial.
O que muda
A proposta quer devolver às placas o nome do município, a sigla do estado e a bandeira estadual, retomando elementos do modelo anterior ao Mercosul. Em outras palavras, o padrão atual não desaparece, mas ganha novos detalhes que exigirão a produção de novas placas.
O padrão Mercosul e suas críticas
Adotado em 2020, o modelo Mercosul trouxe uma combinação alfanumérica única e sem identificação regional, com a justificativa de padronizar entre os países do bloco e aumentar a segurança. Na prática, porém, motoristas reclamaram do custo elevado e da dificuldade em identificar a origem dos veículos. Agora, o argumento para a mudança é justamente o contrário: facilitar a fiscalização e dar às forças de segurança meios mais rápidos de reconhecer a procedência.
Mais uma conta para o motorista
O projeto mantém o formato Mercosul, mas adiciona os novos elementos. Traduzindo: não será apenas um detalhe extra, e sim uma nova rodada de produção de placas. E quem paga? O motorista, claro. Vale lembrar que na implementação anterior os preços dispararam — em São Paulo, houve placas vendidas até 55% acima da tabela oficial do Detran.
O resumo da ópera
Em menos de uma década, o brasileiro já encarou duas mudanças de padrão. Agora, pode vir a terceira. Segurança e fiscalização agradecem, mas o bolso do motorista continua sendo o patrocinador oficial dessa novela. Afinal, no Brasil, placa de carro virou quase item colecionável.
