“Vou revogar todos os sigilos de 100 anos no primeiro dia de governo.” A frase, entoada como um mantra pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha de 2022, sofreu mais um duro golpe com os desdobramentos de um dos escândalos mais explosivos que rondam os bastidores de Brasília: o Caso Banco Master.
A Força Aérea Brasileira (FAB) decretou sigilo centenário sobre a lista de passageiros e os planos de voo da aeronave executiva (prefixo PS-FST) ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O período bloqueado coincide exatamente com os dias em que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos. A FAB justificou o bloqueio invocando a “proteção à intimidade, vida privada, honra e imagem” dos ocupantes.
Para a oposição no Congresso, porém, a manobra da FAB é apenas a ponta de um iceberg de acobertamentos.
Padrão repetido: Exército, Banco do Brasil e Secom também escondem informações
O uso do “cadeado centenário” não se restringe à Força Aérea. O cerco de sigilos mantido sob a gestão Lula inclui outros órgãos estratégicos da Esplanada:
* Exército Brasileiro: Negou pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e impôs o sigilo de 100 anos sobre documentos e dados internos que considerou ‘sensíveis’.
* Banco do Brasil: Trancou dados sobre operações financeiras e contratos com o argumento de proteção à privacidade e sigilo comercial.
* Secretaria de Comunicação Social (Secom): Colocou sob reserva relatórios, agendas de autoridades e dados de campanhas institucionais.
O acúmulo de negativas usando a mesma brecha da Lei de Acesso à Infomação (o artigo 31) transformou a bandeira da “transparência total” em um dos pontos mais vulneráveis do discurso do governo.
Oposição pressiona e cobra explicação:
A oposição no Congresso, liderada por parlamentares do PL e do Novo, intensificou o cerco contra o Planalto:
Deputados e senadores opositores protocolaram requerimentos exigindo que o Ministério da Defesa e o Comando da Aeronáutica identifiquem os passageiros do jatinho de Vorcaro, cobrando também explicações sobre as negativas no Exército, Banco do Brasil e Secom.
O Deputado Sanderson (PL-RS) liderou a apresentação de Requerimentos de Informação (RICs) direcionados aos ministérios do governo exigindo explicações formais e o envio da lista de passageiros.
No fim, apesar da promessa de campanha de Lula, o sigilo centenário continua sendo a ferramenta favorita do poder para trancar gavetas quando o desgaste bate à porta.
