O fiasco milionário
Financiado com quase R$ 10 milhões da Ancine, O Agente Secreto chegou à cerimônia do Oscar 2026 com pompa e quatro indicações, mas saiu de mãos abanando. A produção de Kleber Mendonça Filho, estrelada por Wagner Moura, não levou nenhum dos prêmios aos quais concorria. A tão sonhada estatueta virou apenas mais uma nota de rodapé na lista de derrotas do cinema nacional de lacração.
Moura, o protagonista militante, foi solenemente ignorado nas categorias de atuação, mesmo com várias subdivisões disponíveis. Nem lembrado, nem citado, apenas esquecido.
Polêmicas e lacração sem retorno
A trajetória do filme foi marcada por controvérsias: desclassificação em premiações como o WGA Awards, ironias de concorrentes internacionais e críticas de que a obra era mais um “equívoco político” do que arte. Parte da crítica até elogiou a qualidade técnica, mas o viés militante afastou público e jurados.
A derrota de O Agente Secreto no Oscar virou combustível para a militância de esquerda, que transformou a ausência de estatuetas em espetáculo político. Lula exaltou o “orgulho nacional” e distribuiu beijos virtuais com Janja, enquanto Boulos só faltou repostar a foto de Wagner Moura de boné do MTST, como se o tapete vermelho fosse extensão da ocupação.
‘CPI do Oscar já’
Gleisi e Alckmin repetiram o mantra do “Brasil fez bonito”, mas quem roubou a cena foi Erika Hilton, que decretou em tom de ‘indignação’: “CPI do Oscar já”.
O drama da esquerda foi digno de roteiro: um filme que saiu do Cine Alvorada direto para Hollywood, embalado por discursos patrióticos e hashtags inflamadas. No fim, nenhuma estatueta, mas muito material para transformar a cerimônia em palanque cultural. Se o Oscar não reconheceu, ao menos a narrativa está garantida — e, convenhamos, CPI do Oscar seria o spin-off perfeito dessa tragicomédia.
