‘Saidinhas’ podem ganhar câmeras corporais: se policiais são filmados, por que os presos não?

Jefferson Lemos
O texto mantém a preferência de que o preso arque com os custos, mas abre brecha para que o Estado pague se houver comprovação de falta de recursos (Reprodução)

O tempo em que policiais são obrigados a usar câmeras corporais – mesmo sob o risco e poder expor localização e estratégia durante operações – enquanto presos seguem cometendo crimes longe das lentes da lei durante as saidinhas pode estar com os dias contados. A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou a criação do Sistema Complementar de Monitoramento Eletrônico Avançado (SCMEA), que prevê o uso de câmeras corporais, GPS e biometria para vigiar detentos em regime aberto e semiaberto. Em outras palavras: quem sai para a famosa “saidinha” pode ter cada passo vigiado ao vivo e a cores.

Como funciona

O relator, deputado Capitão Alden (PL-BA), ampliou o projeto original do deputado Sargento Portugal (Pode-RJ), que previa apenas câmeras pagas pelo próprio preso. Agora, o juiz decidirá caso a caso qual tecnologia será usada, considerando o risco do apenado. A prioridade vai para:

– condenados por crimes violentos,
– envolvidos com crime organizado,
– reincidentes,
– e quem já descumpriu monitoramento eletrônico.

Quem paga a conta

O texto mantém a preferência de que o preso arque com os custos, mas abre brecha para que o Estado pague se houver comprovação de falta de recursos. Assim, evita-se que a pobreza seja desculpa para escapar do regime aberto ou semiaberto.

Uso das imagens

As gravações poderão ser usadas para fiscalizar o cumprimento da pena e servir como prova em processos. Os dados também poderão ser integrados aos sistemas de segurança pública, ampliando o controle sobre quem deveria estar em processo de ressocialização.

Próximos passos

A proposta ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e depois pelo Plenário da Câmara e pelo Senado. Só então poderá virar lei e alterar a Lei de Execução Penal.

O contraste irônico

Enquanto policiais seguem monitorados até em operações de risco, presos até agora circulavam sem qualquer registro durante suas saídas temporárias. A medida tenta corrigir essa “lacuna curiosa”: se quem prende é filmado, por que quem cumpre pena fora da cadeia não deveria ser?

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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