As eleições de 2026 confirmam uma virada histórica na política brasileira: não é mais nas praças, nos comícios ou nas caminhadas que se conquista voto. O campo de batalha é digital. E nesse terreno, a direita tem mostrado supremacia, enquanto a esquerda enfrenta dificuldades agravadas pelo desempenho do governo Lula.
Analistas apontam que a campanha deste ano será ainda mais performática e voltada para viralizar nas redes sociais. O cientista político Glauco Peres, da USP, disse em entrevista ao g1 que os discursos e gestos são pensados para repercutir online, em um ambiente saturado de conteúdo. A lógica é simples: quem emociona, engaja; quem engaja, conquista votos.
Supremacia digital da direita
Um levantamento da consultoria Bites mostrou que, em 2025, políticos da direita tiveram 2,5 vezes mais interações nas redes sociais do que os da esquerda e do centro somados. Curtidas, comentários e compartilhamentos em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube confirmam a vantagem.
Exemplos não faltam: Nikolas Ferreira (PL-MG) viralizou com vídeos contra medidas do governo e com sua caminhada de 240 km até Brasília, transmitida ao vivo. O tom emocional e direto conecta-se rapidamente com sua base e amplia a mobilização.
O peso do governo Lula
Enquanto isso, a esquerda tenta emplacar conteúdos performáticos, como vídeos institucionais com metáforas lúdicas — gatinhos e leões para explicar o Imposto de Renda. Mas o impacto é limitado. Analistas destacam que o desempenho do governo Lula, marcado por dificuldades econômicas e baixa popularidade, reduz a capacidade de engajamento digital da esquerda.
Se antes a eleição se ganhava nas ruas, agora ela se decide nas redes. A direita domina a linguagem emocional e viral, enquanto a esquerda luta contra a maré, prejudicada pelo desgaste do governo. Em 2026, mais do que propostas, o que vale é a performance digital — e a direita sabe transformar a baixa popularidade da gestão federal em espetáculo digital.
