O drama das crianças em situação de rua no Rio de Janeiro dominou a sessão da Câmara Municipal nesta quinta-feira (25). Os vereadores Rogério Amorim (PL) e Talita Galhardo (PSDB) acusaram a Prefeitura de abandonar os conselhos tutelares e afirmaram que o sucateamento do serviço está deixando milhares de menores desprotegidos.
Rogério Amorim disparou que a falta de estrutura, os baixos salários e o número insuficiente de conselheiros ajudam a explicar por que cada vez mais crianças estão nas ruas da cidade. Segundo ele, os profissionais trabalham sem condições mínimas, enquanto a Prefeitura “vira as costas” para quem deveria proteger a infância.
“O conselho tutelar não tem estrutura para trabalhar. Falta pessoal, faltam recursos e sobra abandono. Depois querem jogar toda a culpa no Judiciário, mas a Prefeitura também tem responsabilidade por essa tragédia”, afirmou o parlamentar.
Talita Galhardo fez um relato ainda mais duro sobre a situação do Conselho Tutelar da Barra da Tijuca. Segundo ela, crianças vítimas de abuso e violência estão sendo recebidas em um prédio com infiltrações, ratos, brinquedoteca sem brinquedos, cozinha sem comida e banheiro sem papel higiênico.
A vereadora também denunciou que recebeu informações de conselheiras de que a Prefeitura pretende fechar a unidade da Barra e transferi-la para o Recreio. Ela criticou a medida e afirmou que a região, com cerca de 400 mil habitantes, deveria ter quatro conselhos tutelares — um para cada 100 mil moradores — e não perder o único existente.
“Se na Barra da Tijuca, uma das regiões mais ricas da cidade, o abandono já é desse tamanho, imagine o que acontece na Zona Norte e na Zona Oeste. É uma vergonha”, declarou Talita, cobrando uma resposta imediata da Secretaria Municipal de Assistência Social.
