Escândalo: Conselho ignora erotização nas escolas e parte pra cima de Nikolas por denunciar

Jefferson Lemos
Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O Conselho Nacional de Direitos Humanos pediu a abertura de investigação contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por declarações sobre erotização em escolas. A medida, porém, acendeu críticas ao que parlamentares e aliados classificam como “inversão de valores”: em vez de apurar os episódios denunciados, o foco recai sobre quem os trouxe a público.

A representação foi protocolada junto ao Ministério Público do Trabalho e se baseia em falas feitas por Nikolas no programa Pânico, da Jovem Pan, em 2025, quando afirmou que há casos de professores exibindo conteúdos impróprios e promovendo dinâmicas inadequadas com alunos.

‘Apurem os fatos, não o denunciante’

 

Em resposta, Nikolas afirmou que suas declarações se baseiam em ocorrências reais, muitas delas já noticiadas, e cobrou atuação do Conselho nesses casos. Também questionou a ausência de posicionamento do órgão em denúncias envolvendo o ex-ministro Silvio Almeida, acusado de importunação sexual contra Anielle Franco.

 

“O Conselho Nacional de Direitos Humanos pediu abertura de inquérito contra mim por ter dito que ‘existem professores que colocam vídeo pornográfico dentro de sala de aula, usando da sua posição hierárquica para poder colocar conteúdos eróticos, professor inclusive que fez alunos se beijarem’. Estava explicando sobre meu projeto que combate a erotização dentro das escolas e citando casos reais que já ocorreram. Não é novidade pra ninguém que isso, infelizmente, ocorre. O interessante é que eu não achei nenhuma ação desse Conselho contra o ex- ministro dos Direitos Humanos, Sílvio Almeida, sobre a denúncia de abuso a sexual que existe contra ele”.

 

Nikolas foi além e divulgou uma lista com alguns links que embasaram sua afirmação:

 

Professor é afastado após pedir para alunos se beijarem em sala de aula: g1.globo.com/google/amp/ba/
– Professor de escola pública exibe filme com cenas de sexo – O professor de história disse que queria descontrair os alunos: globoplay.globo.com/v/5886997/
– Professor é afastado de Instituto Federal após exibir filme 18+ para alunos em sala de aula: bnews.com.br/amp/noticias/g
– Grupo dança ‘cavalo tarado’ em escola e diretores são afastados: agazeta.com.br/brasil/grupo-d
– Filme com cenas de sexo é exibido a alunos de escola estadual durante mostra de cinema: cnnbrasil.com.br/nacional/filme
“Além das oficinas, exposições e eventos que crianças e adolescentes são levadas pelas escolas e que contém conteúdo inadequado. Essas então são dezenas de milhares. Eu mesmo já denunciei uma que ocorreu aqui em BH, no 12º Festival Internacional de Quadrinhos. Tinha livro ensinando desde satanismo até figuras se masturbando em livros. Ano de eleição e a esquerda está desesperada. Mas não conseguirão nos parar”, completou o parlamentar do PL. 

Casos polêmicos ampliam debate

Além dos links, episódios recentes e antigos reforçam a controvérsia sobre limites pedagógicos:

Cavalo Taradão’ (2023)

Apresentação artística com conotação sexual realizada para crianças em escolas municipais do Rio, incluindo o Ciep Luiz Carlos Prestes, na Cidade de Deus, gerou forte reação de pais e autoridades.
https://web.facebook.com/watch/?v=29064048691290

Livro ‘O Avesso da Pele’ (2024)

A obra de Jeferson Tenório, adotada em escolas públicas para o ensino médio, foi alvo de polêmica por trechos de linguagem sexual explícita. Confira trecho do livro:

“Vem minha branquinha. Vem, meu negão. Chupa a tua branquinha. Chupa o teu nego. Adoro tua pele branquinha. Adoro a tua pele, meu nego. Adoro tua boceta branca. Adoro teu pau preto. E de repente vocês gozavam. E dali para a frente será sempre assim que irão gozar”.

Aula com preservativo (2017)

Na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), uma professora demonstrou o uso de preservativo com a boca em sala, utilizando um pênis de plástico. O vídeo viralizou.
https://web.facebook.com/watch/?v=1725739107457996

Linha tênue entre educação e controvérsia

Os episódios expõem um dilema recorrente: até onde vai a liberdade pedagógica e onde começa a inadequação de conteúdo para determinadas faixas etárias.

Especialistas em educação defendem que temas como sexualidade podem ser abordados de forma responsável e contextualizada. Já críticos apontam excessos e cobram critérios mais rigorosos, especialmente quando envolvem crianças.

Polarização e ano eleitoral

A iniciativa do Conselho ocorre em meio ao ambiente pré-eleitoral, o que intensifica a disputa narrativa. Nikolas afirma que a medida tem motivação política; o órgão, por sua vez, sustenta que é preciso coibir generalizações contra professores.

No centro da crise está uma pergunta que permanece sem resposta consensual: diante de denúncias sensíveis envolvendo crianças e adolescentes, a prioridade das instituições deve ser investigar quem denuncia — ou garantir que os fatos denunciados sejam rigorosamente apurados.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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