A crise nos Correios ganhou contornos dramáticos. Relatórios internos da estatal revelam que a empresa mergulhou em um “ciclo vicioso de prejuízos”, marcado pela perda de clientes, queda de receitas e incapacidade de honrar compromissos básicos. O resultado é um rombo que pode ultrapassar R$ 9 bilhões até o fim de 2026 — e, como sempre, a conta tende a sobrar para o contribuinte.
O colapso financeiro
– Até setembro de 2025, os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões em fornecedores, salários e tributos.
– A receita despencou: queda de 17,6% nas entradas de caixa em relação a 2024.
– Para tentar sobreviver, a estatal recorreu a empréstimos de R$ 13,8 bilhões em 2025, mas grande parte dos recursos só entrou no caixa em dezembro, sem efeito prático imediato.
Projeções sombrias
– O prejuízo estimado para 2025 é de R$ 5,8 bilhões, ligeiramente menor que o acumulado até setembro.
– Para 2026, a previsão é ainda mais alarmante: rombo de R$ 9,1 bilhões.
O fator gestão
O relatório da Diretoria Econômico-Financeira aponta que a deterioração operacional foi determinante para a crise. A baixa qualidade dos serviços afastou clientes estratégicos — responsáveis por mais da metade da receita — e comprometeu acordos comerciais.
O impacto para o país
A situação dos Correios expõe um problema recorrente nas estatais brasileiras: má gestão, falta de competitividade e dependência de aportes públicos. Se nada mudar, a fatura inevitavelmente será repassada ao contribuinte, que já arca com déficits de outras empresas públicas.
