As cenas de terror no Aeroporto de Guadalajara, no México, após ataques ligados ao Cartel Jalisco Nova Geração, expõem o poder devastador das facções criminosas quando o Estado perde o controle. A morte de El Mencho, líder do cartel, desencadeou uma onda de violência que deixou dezenas de mortos e centenas de prisões, mostrando como o crime organizado pode paralisar um país inteiro.
No Brasil, o alerta é claro: facções como o PCC e o Comando Vermelho já controlam territórios, ditam regras e desafiam o poder público. Especialistas e setores da oposição afirmam que, sem mudanças profundas na legislação, o país corre o risco de se tornar um “novo México”. A crítica recai sobre leis consideradas brandas, a manutenção da maioridade penal em 18 anos e políticas de desencarceramento adotadas pelo governo Lula que, segundo opositores, beneficiam criminosos em detrimento das vítimas.

A morte de El Mencho, líder do cartel, desencadeou uma onda de violência e gerou pânico no aeroporto (Reprodução)O modelo salvadorenho em debate
El Salvador, que até poucos anos figurava entre os países mais violentos do mundo, conseguiu uma virada histórica. O presidente Nayib Bukele adotou medidas extremas: prisões em massa sem ordem judicial, endurecimento das penas e construção de megacárceres. O resultado foi uma queda drástica nos homicídios, transformando o país em referência internacional de combate ao crime, ainda que sob críticas de violações de direitos humanos.
Esse modelo já inspira debates no Brasil. Lideranças da oposição defendem adaptar a estratégia salvadorenha, inclusive classificando facções como organizações terroristas. A direita brasileira vê na “tolerância zero” uma saída para conter a escalada da violência, enquanto críticos alertam para riscos à democracia e ao sistema prisional, que já sofre com superlotação.

A viagem de Flávio Bolsonaro
Em novembro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou a El Salvador para conhecer de perto as políticas de segurança implementadas por Nayib Bukele. O encontro com o presidente salvadorenho reforçou a narrativa de que o Brasil precisa adotar medidas semelhantes para enfrentar o crime organizado. Flávio, hoje pré-candidato à Presidência, tem usado a experiência como bandeira política, defendendo o endurecimento das leis e a classificação das facções como terroristas .
O dilema brasileiro
O Brasil ainda tem tempo para evitar o colapso da segurança pública, mas a janela está se fechando. Entre as medidas defendidas estão:
– Endurecimento da legislação penal, com penas mais severas.
– Redução da maioridade penal, aproximando-se de modelos internacionais.
– Reversão da política de desencarceramento, fortalecendo o sistema de contenção.
– Classificação das facções como terroristas, ampliando instrumentos legais de combate.
O país está diante de uma escolha decisiva: ou enfrenta o crime com rigor e aprende com o exemplo de El Salvador, ou corre o risco de repetir o pesadelo mexicano.
