A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado decidiu nesta semana que vai realizar diligências em duas instalações ligadas ao programa espacial Brasil-China, após suspeitas levantadas por parlamentares norte-americanos sobre possível uso militar das estruturas.
O requerimento, apresentado pelo senador Márcio Bittar (PL-AC) e subscrito pelo presidente da comissão, Sérgio Moro (União-PR), autoriza visitas à Estação Terrestre de Tucano, em Salvador (BA), e ao Laboratório Conjunto China-Brasil para Tecnologia de Radioastronomia, na Serra do Urubu (PB).
Um relatório do Congresso dos Estados Unidos aponta que a Estação de Tucano, operada pela Ayla Space em parceria com a Beijing Tianlian Space Technology, poderia integrar a base industrial de defesa da China. O mesmo documento cita o laboratório paraibano, fruto de acordo firmado em 2025 entre universidades federais brasileiras e o Instituto de Pesquisa em Comunicações da Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China, oficialmente voltado para pesquisas em radioastronomia.
Bittar destacou que, embora não haja confirmação sobre o caráter militar das instalações, o tema exige atenção do Legislativo. Moro reforçou que a iniciativa não deve ser interpretada como desconfiança em relação à China: “A China é um grande parceiro comercial do Brasil e precisa continuar sendo”, afirmou.
Com a decisão, o Senado abre caminho para uma apuração direta em campo, em meio ao delicado equilíbrio entre cooperação científica e tensões geopolíticas.
