O Senado volta a discutir o PL 1769/2019, que estabelece percentuais mínimos de cacau nos chocolates. A proposta já havia sido aprovada, mas como a Câmara dos Deputados mexeu na receita, o texto retorna para nova análise. A ideia é simples: garantir que o que chamamos de chocolate tenha, de fato, cacau — e não apenas açúcar com marketing.
Percentuais em jogo
- Chocolate comum: mínimo de 35% de sólidos de cacau (hoje a Anvisa exige 25%).
- Chocolate ao leite: 25% de cacau e 14% de sólidos de leite.
- Chocolate branco: 20% de manteiga de cacau.
- Chocolate em pó: 32% de cacau.
Quem não cumprir a regra terá de assumir no rótulo que vende “achocolatado”, “fantasia” ou “cobertura sabor chocolate”. Nada de enganar o consumidor com embalagens douradas e promessas açucaradas.
Açúcar versus cacau
O autor da proposta, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), afirma que hoje o percentual de cacau é “ínfimo” e que o açúcar reina absoluto por ser mais barato. Para ele, a mudança não só melhora a qualidade do produto como também fortalece o cultivo de cacau no Brasil.
Prazo de adaptação
Se o projeto virar lei, a indústria terá 360 dias para se adequar. Ou seja, talvez só na Páscoa de 2027 o brasileiro consiga comprar ovos com cacau de verdade. Até lá, seguimos comendo fantasia embrulhada em papel brilhante.
Conclusão
Enquanto o Congresso debate se chocolate é chocolate ou apenas “sabor chocolate”, o consumidor amarga mais uma Páscoa com barras que derretem em açúcar. O doce continua sendo amargo — não pelo cacau, mas pela espera.
