“Que descem e rebolam”. O verso conhecido do hit “Show das Poderosas”, da cantora Anitta, saiu das pistas de dança para o centro de uma controvérsia internacional — e reacendeu um debate incômodo sobre como o Brasil ainda é visto no exterior. A música foi usada pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha como trilha sonora de uma publicação oficial que mostra a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país europeu.
A intenção pode ter sido aproximar culturas ou adotar uma linguagem mais leve nas redes sociais. Mas o resultado acabou sendo outro: uma enxurrada de reações que misturam orgulho cultural e críticas ao reforço de estereótipos.
A canção, associada a coreografias sensuais e forte apelo corporal, foi vista por parte dos brasileiros como inadequado para um contexto institucional. Para críticos, a escolha não apenas destoa do ambiente diplomático, como também resgata uma imagem que o país tenta há décadas superar — a de destino ligado ao turismo sexual.
Nas redes, o episódio dividiu opiniões. Enquanto alguns usuários defenderam a valorização da música pop brasileira e o alcance global de Anitta, outros apontaram que símbolos importam — e que, quando usados por canais oficiais estrangeiros, podem reforçar percepções antigas e difíceis de desconstruir.
O Brasil, que há anos promove campanhas e políticas para combater a exploração sexual e reposicionar sua imagem internacional, volta a enfrentar um dilema recorrente: quando a cultura vira representação oficial, até que ponto ela aproxima — ou distorce — a identidade de um país inteiro?
