A verdadeira pesquisa para o governo do Rio de Janeiro ainda não começou — e só deve ganhar forma quando ficar claro para a população quem é o candidato de Lula e quem é o candidato de Bolsonaro. Até lá, os números divulgados funcionam mais como fotografia inicial do que como retrato definitivo da disputa.
A primeira rodada da Quaest, divulgada nesta segunda (27), coloca Eduardo Paes (PSD) na liderança com 34% das intenções de voto, enquanto Douglas Ruas (PL) aparece com 9%. A distância, porém, perde força diante de um dado crucial: 40% do eleitorado ainda está fora do jogo, dividido entre indecisos (20%) e votos brancos, nulos ou abstenção (20%). Em outras palavras, é cedo para o ex-prefeito do Rio cantar vitória contra o presidente da Alerj.
Campanha na rua pode mudar tudo
A tendência é que a disputa se intensifique com a oficialização das candidaturas e, principalmente, com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Esse momento costuma ser decisivo para apresentar os candidatos ao grande público, reduzir o número de indecisos e cristalizar associações políticas — como a ligação com Lula ou Bolsonaro.
Com mais exposição, estrutura de campanha e clareza de quem são os padrinhos nacionais, a disputa tende a ganhar contornos mais definidos — e potencialmente mais equilibrados.
Polarização pode redesenhar completamente o cenário
O histórico recente do Rio de Janeiro mostra que o eleitorado tem forte inclinação conservadora e foi decisivamente influenciado pelo bolsonarismo nos últimos ciclos eleitorais. Esse fator, somado ao grande contingente de eleitores sem posição definida, abre espaço para uma virada — como ocorreu em 2018, quando Paes liderava com folga as pesquisas e acabou não sendo eleito.
Douglas Ruas, hoje com um patamar ainda modesto nas pesquisas, é a grande ameaça de Paes neste pleito. Seu crescimento gradual em levantamentos recentes reforça a leitura de que há espaço para avançar à medida que a disputa se nacionalizar e ficar claro para o eleitor quem é o candidato de Lula e de Bolsonaro, ainda mais em meio à queda de popularidade do presidente da República.
Do outro lado, Eduardo Paes aposta em uma frente ampla para tentar consolidar sua posição caso seja identificado de forma clara como o candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Liderança existe, mas não está consolidada
Apesar de liderar com folga neste momento, Eduardo Paes enfrenta um cenário instável. A grande quantidade de eleitores em aberto e a possível entrada mais ativa de forças nacionais indicam que a vantagem atual pode ser desafiada.
Já Douglas Ruas aparece como o principal nome com potencial de crescimento, justamente por estar posicionado em um campo político que historicamente mobiliza parte significativa do eleitorado fluminense.
A pesquisa Quaest aponta um líder, mas não define a eleição. Com alto índice de indecisos, influência do eleitorado conservador e a expectativa de entrada direta dos nomes de Lula e Bolsonaro na disputa, o cenário no Rio segue aberto — e pode mudar de forma decisiva quando a campanha começar para valer.
O levantamento Quaest, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 1.200 pessoas, em entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, entre os dias 21 e 25 de abril. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro no Tribunal Regional Eleitoral está sob o número RJ-00613/20026.
