O Conselho Nacional de Direitos Humanos pediu a abertura de investigação contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por declarações sobre erotização em escolas. A medida, porém, acendeu críticas ao que parlamentares e aliados classificam como “inversão de valores”: em vez de apurar os episódios denunciados, o foco recai sobre quem os trouxe a público.
A representação foi protocolada junto ao Ministério Público do Trabalho e se baseia em falas feitas por Nikolas no programa Pânico, da Jovem Pan, em 2025, quando afirmou que há casos de professores exibindo conteúdos impróprios e promovendo dinâmicas inadequadas com alunos.
‘Apurem os fatos, não o denunciante’
Em resposta, Nikolas afirmou que suas declarações se baseiam em ocorrências reais, muitas delas já noticiadas, e cobrou atuação do Conselho nesses casos. Também questionou a ausência de posicionamento do órgão em denúncias envolvendo o ex-ministro Silvio Almeida, acusado de importunação sexual contra Anielle Franco.
“O Conselho Nacional de Direitos Humanos pediu abertura de inquérito contra mim por ter dito que ‘existem professores que colocam vídeo pornográfico dentro de sala de aula, usando da sua posição hierárquica para poder colocar conteúdos eróticos, professor inclusive que fez alunos se beijarem’. Estava explicando sobre meu projeto que combate a erotização dentro das escolas e citando casos reais que já ocorreram. Não é novidade pra ninguém que isso, infelizmente, ocorre. O interessante é que eu não achei nenhuma ação desse Conselho contra o ex- ministro dos Direitos Humanos, Sílvio Almeida, sobre a denúncia de abuso a sexual que existe contra ele”.
Nikolas foi além e divulgou uma lista com alguns links que embasaram sua afirmação:
Casos polêmicos ampliam debate
Além dos links, episódios recentes e antigos reforçam a controvérsia sobre limites pedagógicos:
Cavalo Taradão’ (2023)
Apresentação artística com conotação sexual realizada para crianças em escolas municipais do Rio, incluindo o Ciep Luiz Carlos Prestes, na Cidade de Deus, gerou forte reação de pais e autoridades.
https://web.facebook.com/watch/?v=29064048691290
Livro ‘O Avesso da Pele’ (2024)
A obra de Jeferson Tenório, adotada em escolas públicas para o ensino médio, foi alvo de polêmica por trechos de linguagem sexual explícita. Confira trecho do livro:
“Vem minha branquinha. Vem, meu negão. Chupa a tua branquinha. Chupa o teu nego. Adoro tua pele branquinha. Adoro a tua pele, meu nego. Adoro tua boceta branca. Adoro teu pau preto. E de repente vocês gozavam. E dali para a frente será sempre assim que irão gozar”.
Aula com preservativo (2017)
Na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), uma professora demonstrou o uso de preservativo com a boca em sala, utilizando um pênis de plástico. O vídeo viralizou.
https://web.facebook.com/watch/?v=1725739107457996
Linha tênue entre educação e controvérsia
Os episódios expõem um dilema recorrente: até onde vai a liberdade pedagógica e onde começa a inadequação de conteúdo para determinadas faixas etárias.
Especialistas em educação defendem que temas como sexualidade podem ser abordados de forma responsável e contextualizada. Já críticos apontam excessos e cobram critérios mais rigorosos, especialmente quando envolvem crianças.
Polarização e ano eleitoral
A iniciativa do Conselho ocorre em meio ao ambiente pré-eleitoral, o que intensifica a disputa narrativa. Nikolas afirma que a medida tem motivação política; o órgão, por sua vez, sustenta que é preciso coibir generalizações contra professores.
No centro da crise está uma pergunta que permanece sem resposta consensual: diante de denúncias sensíveis envolvendo crianças e adolescentes, a prioridade das instituições deve ser investigar quem denuncia — ou garantir que os fatos denunciados sejam rigorosamente apurados.
