Empresas instaladas na Zona Sul do Rio de Janeiro têm sido alvo de uma quadrilha especializada em fraudes bancárias digitais, que utiliza a técnica do “falso gerente” para acessar contas corporativas, contratar empréstimos e desviar recursos. O golpe, que já preocupa autoridades e instituições financeiras em todo o país, tem se sofisticado e ampliado seu alcance, especialmente no ambiente empresarial.
De acordo com relatos de vítimas, o esquema começa com uma ligação ou mensagem de alguém que se apresenta como gerente do banco. Com discurso convincente, o criminoso informa a necessidade de uma suposta “atualização de sistema” ou alerta para movimentações suspeitas na conta. Durante a conversa, solicita dados sensíveis, como senhas, tokens e informações cadastrais.
Em muitos casos, os golpistas já possuem dados prévios das empresas — o que aumenta a credibilidade da abordagem. A partir daí, conseguem acessar o sistema bancário, contratar empréstimos em nome da vítima e realizar transferências, geralmente via Pix, dificultando o rastreamento e a recuperação dos valores.
Outra estratégia recorrente é o envio de links ou programas maliciosos que permitem o acesso remoto ao computador da empresa. Com isso, os criminosos passam a controlar a máquina da vítima em tempo real, executando operações financeiras sem que o usuário perceba.
Golpe conhecido, mas em expansão
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já emitiu alerta nacional sobre esse tipo de fraude, que faz parte de uma técnica conhecida como “engenharia social” — quando criminosos manipulam emocionalmente a vítima para obter informações sigilosas.
Segundo especialistas, mais de 80% das fraudes bancárias no Brasil utilizam esse tipo de abordagem, explorando a confiança e o senso de urgência das vítimas.
Os números reforçam a gravidade do problema. Dados da Serasa Experian apontam que o Brasil registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude apenas no primeiro semestre de 2025, um aumento de 29,5% em relação ao ano anterior. O setor bancário concentra mais da metade dessas ocorrências.
Além disso, prejuízos com fraudes digitais no país ultrapassaram R$ 10 bilhões em 2024, evidenciando o impacto econômico dessas ações criminosas .
Rio de Janeiro entre os mais afetados
O Sudeste lidera o volume de tentativas de fraude no Brasil, concentrando quase metade dos casos registrados, o que inclui o estado do Rio de Janeiro. Estudos indicam que a região teve crescimento expressivo desse tipo de crime nos últimos anos, acompanhando o avanço da digitalização e do uso de serviços bancários online .
No Rio, empresas têm sido alvos preferenciais por movimentarem valores mais altos e, muitas vezes, terem múltiplos usuários com acesso às contas — o que amplia a superfície de ataque para os criminosos.
Como se proteger
Especialistas em segurança digital recomendam atenção redobrada:
* Bancos não solicitam senhas, tokens ou códigos por telefone ou mensagem
* Nunca clicar em links enviados por supostos atendentes
* Sempre confirmar qualquer contato diretamente pelos canais oficiais do banco
* Evitar instalar programas ou permitir acesso remoto ao computador
* Adotar múltiplos níveis de autenticação e controle interno nas empresas
A orientação é clara: diante de qualquer contato suspeito, a recomendação é interromper imediatamente a comunicação.
Investigação e alerta
Casos semelhantes já chegaram à Justiça. Em uma decisão recente, uma empresa que sofreu prejuízo após seguir orientações de um falso gerente teve o pedido de indenização negado, sob o entendimento de que houve negligência ao não verificar a autenticidade do contato .
O avanço desse tipo de crime reforça o alerta para empresas e clientes bancários: a sofisticação das fraudes cresce na mesma velocidade da digitalização dos serviços financeiros — e a principal defesa ainda é a informação.
