MORADOR DE RUA ATACA EM COPACABANA: Zona Sul vira terra de ninguém

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Foto - Reprodução

Câmeras flagraram o que muitos moradores dizem viver todos os dias: uma idosa foi atacada pelas costas por um homem em situação de rua na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, em plena luz do dia. Ele revirava o lixo e, de repente, partiu para cima da vítima. Uma cena absurda — e cada vez mais comum.

O caso ocorreu no último dia 13, a Polícia Militar foi acionada, deteve o agressor, mas ele acabou solto. Resultado: sensação de impunidade e a certeza, para quem mora ali, de que o problema está longe de ser controlado.

Nas ruas da Zona Sul, o cenário virou um território de incerteza. Moradores relatam que já não conseguem diferenciar quem realmente precisa de ajuda e quem pode representar perigo, já que criminosos se disfarçam como mendigos. Em meio a isso, cresce a percepção de uma engrenagem paralela: flanelinhas e grupos de moradores de rua ocupando espaços, intimidando motoristas e impondo regras próprias.

E quando surge uma ação mais dura, a crítica é direta: não resolve — só empurra. Após a entrada da Guarda Municipal armada em Copacabana, o problema não diminuiu. Mudou de endereço e virou um círculo vicioso.

‘Meu telefone não para de tocar’

Em Botafogo, o aumento de pessoas em situação de rua passou a ser sentido com força, especialmente em áreas como o entorno do Túnel Velho, hospitais e prédios públicos. Em recente entrevista, a presidente da Associação de Moradores do bairro, Regina Chiaradia, relatou o impacto: “Meu telefone não para de tocar”. Segundo ela, as reclamações dispararam justamente depois das ações mais intensas em Copacabana — reforçando a percepção de migração.

A prefeitura diz que mais de 8 mil pessoas estão vivendo nas ruas, mas até o número é questionado. Levantamentos baseados no CadÚnico (usados por pesquisadores como os da UFMG) apontam que o número real na cidade do Rio pode passar de 22,5 mil pessoas, expondo uma enorme subnotificação por parte do município. O retrato é de uma cidade sem estratégia clara. Para muitos moradores, a gestão não enfrenta o problema — apenas desloca.

 

 

 

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